Seção: Comentários Teleco

 16/10/05


Benchmarking: Estados Unidos x Brasil

 

Brasil e Estados Unidos (EUA) são os países de maior população nas Américas. A penetração dos serviços de telecomunicações é, no entanto, muito maior nos Estados Unidos, país de maior renda per capita.

 

 

Celular

 

O celular é o serviço onde o Brasil apresenta uma menor diferença na penetração em relação aos EUA. Em Ago/05 o número de celulares no Brasil era o dobro do número de telefones fixos, enquanto nos EUA o número de celulares só ultrapassou o de fixos no final de 2004. O crescimento do celular no Brasil em 2004 foi de 41,5% e nos EUA 15% (CTIA).

 

O Relatório Anual de 2005 do FCC , sobre o estado da competição em Serviços Móveis nos EUA ( FCC 05-173), aponta as seguintes diferenças entre os Estados Unidos d e a Europa Ocidenta/ países desenvolvidos da Ásia-Pacífico:

  • A penetração do celular é significantemente maior nestes países do que nos Estados Unidos. A média da Europa é de 95%.
  • Os minutos utilizados mensalmente por um celular (MOU) é significantemente maior nos EUA (630 minutos) do que na Europa (110 a 170 minutos).
  • A receita por minuto (US$ 0,08) é significantemente menor nos EUA que na Europa (US$ 0,26).

Uma das razões apontadas para a baixa penetração do celular nos Estados Unidos é a não adoção do Calling Party Pays, nos EUA o usuário do celular paga pelas chamadas recebidas. O Mobile Party Pays acaba levando, no entanto, a uma queda do preço por minuto, o que implica em maior uso do celular.

 

O Brasil apresenta uma combinação de penetração baixa, minutos de uso baixo e receita por minuto baixa, reflexo da menor renda per capita da população que adota em sua maioria o pré-pago (80%).

 

2004 Estados Unidos Brasil
Celulares em Operação 182 milhões 66 milhões
Penetração (Cel./100 Hab.) 61 36
MOU (minutos) 630 80 a 100
Receita por Minuto (US$) 0,08 0,11 - 0,15
Pré-pago 8 a 11% 80%
População atendida por 3 ou mais operadoras de celular
97% 77%
Churn Rate mensal
1,5% 3%
Receita de Dados com % da Receita de Serviços
6% 3 a 6%

 

Mesmo com as recentes consolidações ocorridas nos EUA, como a aquisição da ATT Wireless pela Cingular, existem regiões onde competem 7 operadores. No Brasil este número é de no máximo 4. Os EUA possuem 5 operadoras consideradas de cobertura nacional e várias regionais. O Brasil possui 3 operadoras com cobertura nacional.

 

O churn rate (taxa de cancelamentos) nos EUA é semelhante ao do Brasil. Ele manteve-se estável em 2004, apesar da introdução em novembro de 2003 da portabilidade numérica para celulares. Em Dez/04, faziam parte da base de dados como tendo sido portados, 10,3 milhões de celulares.

 

Apesar do maior desenvolvimento das redes de dados de 3G nos EUA, a receita de dados das operadoras de celular é próxima da encontrada no Brasil e inferior a da Europa que é de 13 a 20%.

 

As Operadoras Virtuais (MVNO) ou revendas, ainda ausentes do mercado brasileiro, representaram aproximadamente 9% de todos os celulares nos EUA, com um crescimento de 50% em relação a 2003. Em 2004, a Sprint PCS possuia 3,2 milhões de celulares através de afiliados como a Virgin e a Quest.

 

TV a Cabo, Banda larga e Internet

 

A maior diferença ocorre, no entanto, no número de usuários de Internet que nos EUA é o serviço com maior penetração. Em Set/05, segundo o Netratings, existiam nos EUA 203 milhões de usuários domiciliares de Internet sendo 139 milhões ativos no mês. No Brasil este número era de 19 milhões, com 12 milhões ativos em Set/05 .

 

A existência de uma ampla rede de TV a cabo propiciou também a competição na oferta de Banda larga. O cabo responde por 56% de acessos banda larga nos EUA e 16% no Brasil. A competição com a TV a cabo está levando a que as operadoras de telefonia fixa melhorem sua infra-estrutura de acesso local com soluções como a de colocar fibra até a residência (FTTH) da Verizon.

 

As soluções wireless como WIFI, Wimax ou 3G, podem ter um papel ainda maior no Brasil devido à falta de uma infra-estrutura fixa.

 

Telefonia Fixa

 

O crescimento do Celular e da Banda larga está provocando uma queda no número de telefones fixos nos EUA.

 

 

Apesar da redução de 3% no número de telefones fixos nos EUA em 2004, o número de telefones fixos das novas operadoras surgidas com a desregulamentação das telecomunicações, "Competitive Local Exchange Carriers" (CLECs), vem crescendo e representavam 18,5% dos telefones fixos em serviço em 2004. Este crescimento é em grande parte baseado no Unbundling e na revenda que representavam respectivamente 57,7% e 16,5% dos 32 milhões de acessos das CLECs em 2004.

 

No Brasil o número de telefones fixos tem se mantido estável. As novas operadoras, sem o Unbundling e a revenda, têm apresentado baixo crescimento, e possuíam menos de 5% dos telefones em serviço no Brasil em 2004.

 

O telefone fixo está sendo trocado pelo celular e por uma conexão à Internet de alta velocidade que permite inclusive a realização de chamadas de voz utilizando VOIP.

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • A menor penetração do celular nos EUA que na Europa é reflexo das diferenças culturais ou se deve à baixa popularidade do pré-pago nos EUA?
  • Com a renda per capita atual o Brasil chegará aos 60 % de penetração de celulares?
  • Como aumentar a penetração da Internet e da banda larga no Brasil? A banda larga deveria ser objeto de incentivo do governo para aumentar sua penetração? Em Debate DAI - A Divisão Aumentou
  • As soluções wireless para banda larga irão predominar no mercado brasileiro?

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Comentário de José Roberto de Souza Pinto - Engenheiro e Consultor em Telecomunicações.

Sobre a comparação de receitas do serviço celular, acredito que deva ser incluido também as receitas de terminação de chamadas nos terminais moveis, pois são uma importante fonte de renda e sem dúvida deve aumentar a receita média por terminal.

 

Sobre a questão pre-pago, é correta a avaliação do baixo crescimento relativo do celular nos Estados Unidos da America, e uma das razões é que os serviços de telecomunicações já são pagos em cartões de credito, que é um meio de pagamento bem mais difundido do que no Brasil, apesar de todo o recente crescimento.

 

Com relação ao crescimento de banda larga no pais, este sim é um dos mais graves problemas, pois a rede de TV a cabo ( assinatura ) tem cobertura reduzida, a rede de pares metálicos, não está disponível para outros operadores que não as concessionárias locais e as soluções sem fio ainda não demonstraram a sua viabilidade para uma cobertura mais ampla e competitiva.

 

Entretanto estas soluções sem fio se analizarmos a gestão do ambiente regulatório no país são a grande esperança para uma retomada do crescimento das Telecomunicações no Brasil.

 

 

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