Seção: Comentários Teleco

 27/11/2005


PNAD 2004 : O Celular como substituto do Telefone Fixo residencial

 

A Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD), realizada anualmente pelo IBGE, mostra que o percentual de domicílios brasileiros que não possuem telefone (fixo ou celular) caiu de 62,4% em 1999 para 34,6% em 2004. O aumento da penetração do telefone nos domicílios brasileiros é reflexo do crescimento do nº de telefones fixos e de celulares.

 

 

No período de 2001 a 2004, o nº de de telefones fixos se manteve estável e o celular continuou crescendo, sendo adotado tanto por domicílios que já possuiam telefone fixo, quanto por domicílios sem telefone. O percentual de domicílios que só possuem telefone fixo caiu de 27,9% em 2001 para 17,6% em 2004. Já o percentual de domicílios que só possuiam o celular cresceu para 16,5% em 2004.

 

Nota:Anos anteriores a 2004 não incluem os domicílios na área rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. Total de 51,7 milhões de domicílios em 2004.

 

Renda da população

 

A baixa renda da população é um limitante para a adoção de telefones (fixo ou celular). Pelos dados do PNAD 2004, o número de domicílios com telefone (fixo ou celular) passa a ser maior que o de domicílios sem telefone a partir de uma renda mensal de 2 salários mínimos (SM).

 

 

Este limitante tem sido apontado como uma das causas que impedem o crescimento do número de telefones fixos. O telefone fixo, ao contrário do celular pré-pago, implica no comprometimento com o pagamento de uma assinatura mensal de no mínimo R$ 35 . Os dados do PNAD 2004 mostram que a opção por apenas um tipo de telefone (fixo ou celular) é maior nas camadas com renda inferior a 10 SMs. Apenas 24% destes domicílios possuíam telefone fixo e celular.

 

 

Segundo o PNAD, em 2004, 17,6% dos domicílios possuíam só telefone fixo e 16,5% só celular. No entanto, com o crescimento de 23,8% do número de celulares em 2005 (Jan-Out), já é possível afirmar que o percentual de domicílios que só possui celular ultrapassou o de domicílios que só possui telefones fixos.

 

A Anatel e o Minicom têm discutido com as concessionárias de telefonia fixa planos alternativos de serviço, como o Acesso Individual de Classe Especial (AICE) e o telefone social. Estas alternativas procuram reduzir a assinatura mensal para um valor abaixo de R$ 20. Espera-se desta forma estimular o crescimento do telefone fixo entre as camadas de mais baixa renda. O que não está claro é se esta redução no valor da assinatura será suficiente para virar o jogo e tornar o telefone fixo mais atrativo que o celular como opção de telefone para as camadas de menor poder aquisitivo.

 

A principal vantagem do telefone fixo tem sido o custo das chamadas fixo-fixo. Hoje, no entanto, o número de celulares é duas vezes maior que o de fixos e cada vez mais as chamadas são feitas para um celular e não para um telefone fixo. Em muitos casos, a chamada de um celular para um celular é mais barata do que a chamada de um fixo para um celular.

 

Por outro lado, nas camadas de mais baixa renda, o telefone é mais usado para receber do que para fazer chamadas. Nestes casos, o celular pré-pago que além de não ter assinatura tem a vantagem da mobilidade, acaba sendo a melhor opção.

 

Internet

 

Possibilitar o acesso à internet, com custos mais baixos, seria outra vantagem do telefone fixo em relação ao celular. Neste caso, no entanto, possuir um computador passa a ser uma barreira de entrada maior que a existência do telefone fixo. Segundo o PNAD 2004, 48,9% dos domicílios brasileiros possuiam telefone fixo, 16,3% computador e 12,2% acessavam a internet com o computador. Entre os domicílios com renda inferior a 10 salários mínimos o percentual de domicílios com microcomputador cai para 9,3% e de micro com acesso a internet a 5,9%.

 

Percentual de domicílios com acesso a Internet

 

Salário Mínimo Total Até 10 10 a 20

mais

de 20

Telefone Fixo 48,9 42,8 90,6 95,6
Microcomputador 16,3 9,3 59,8 79,0

Microcomputador

com acesso a internet

12,2 5,9 49,6 72,0

Fonte: PNAD 2004 (IBGE)

 

Este cenário revela a enorme barreira existente para a difusão da internet nos domicílios brasileiros. Segundo o IBOPE NetRatings, o número de usuários residenciais com acesso a internet está estagnado em 20 milhões (12 milhões ativos) há quase 2 anos (IBOPE net ratings). Segundo o PNAD, em 2004 possuiam acesso domiciliar a Internet 21,6 milhões de pessoas, ou 6,3 milhões de domicílios.

 

O Brasil deve terminar 2005 com mais de 3,5 milhões de acessos banda larga à Internet. Este número era de 2,3 milhões em 2004. A continuar este cenário estará se acentuando a divisão, onde cerca de 12% de domicílios incluídos digitalmente terão em sua maioria acesso banda larga à internet e poderão desfrutar das vantagens das novas tecnologias como VOIP.

 

Finalmente é importante lembrar que, segundo o PNAD2004, 87,8% dos domicílios possuem rádio e 90,3% televisão. Estes porcentuais são de grande significado para o País, levando-se em consideração o poder aquisitivo da população e o fato de 96,8% dos domicílios terem luz elétrica, 87,4% possuírem geladeira e 97,5% possuírem fogão. Considere-se ainda que o País possui 11,4% de analfabetos na população com mais de 15 anos de idade.

 

Diante destes dados pergunta-se:

  • Se a população de baixa renda pudesse escolher entre um telefone fixo pré-pago (sem assinatura) e o celular pré-pago, qual ela preferiria?
  • Qual o futuro do telefone fixo no Brasil? O nº de telefones fixos se manterá estável ou irá cair?
  • O percentual de domicílios rurais com telefone aumentou de 15,2% em 2001 para 25,8% em 2004. O que está limitando o crescimento do número de telefones nas áreas rurais? Renda da população ou disponibilidade do serviço?
  • O que é mais importante para o desenvolvimento do Brasil neste momento? Aumentar o acesso da população ao telefone fixo ou à internet? Onde deveriam ser investidos recursos como o do FUST?
  • Como novas tecnologias como VOIP e WIMAX podem afetar este quadro? E um aumento de renda da população? Segundo o PNAD a renda do trabalhador, após 7 anos de quedas seguidas, parou de cair em 2004.
  • Qual o impacto da TV digital neste cenário?

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Comentário de Marcos Komatsu

O percentual de domicílios rurais com telefone aumentou de 15,2% em 2001 para 25,8% em 2004. O que está limitando o crescimento do número de telefones nas áreas rurais? Renda da população ou disponibilidade do serviço?

 

As Operadoras de STFC inseridas nas normas do PGMU foram e continuam sendo obrigadas a direcionar um grande volume de investimentos para cumprir o contratado. Uma das regras, que imputa a forma de atendimento por faixas de população e definição da área de ATB, desconsidera qualquer classificação sócio-econômica da população.

 

Se analisássemos o retorno financeiro que as Operadoras tiveram com o atendimento à algumas localidades ou regiões, face às normas do PGMU, poderíamos entender que em vários casos os recursos financeiros disponibilizados para as obras de infra-estrutura poderiam ter sido alocados para obras com maior possibilidade de retorno financeiro, e somente não o foram por força da norma.

 

Estrategicamente, as operadoras parecem estar direcionando seus recursos para duas grandes ações: Capilarização do serviço ADSL, não só para permitir o acesso à internet como também abrir o caminho para o fornecimento de serviços baseados em redes privativas VPNs, mais baratos que os acessos dedicados, e para aquelas que também detém a concessão do serviço móvel, a convergência das operações fixo-móvel buscando a sinergia entre estes dois serviços.

 

Observando estas duas colocações, opino que a resposta para a questão proposta é que o serviço disponível atualmente não cobre a demanda comercial existente, principalmente nas regiões com maior extensão territorial (AM, PA, RO, MT, MS e GO) e menor densidade populacional.Não está disponível porque não afeta o PGMU e a taxa de atratividade do investimento necessário é menor do que a da expansão do serviço ADSL, de Dados e Celular e combate nas modalidades de tráfego (VC, Intra e Inter região).

 

A renda da população rural, somada à teledensidade que poderia ser alcançada, fecha a análise, justificando o motivo das concessionárias estarem postergando investimentos nesta área.

 

 

Comentário de Diego Duarte

Acho que, atualmente, com o preço do sistema fixo pré-pago (tarifas, preços de cartões e etc), acho que para a grande maioria da população, seria viavel o uso de fixos pré-pagos, pois se for levar em consideração, que apesar de tudo, até mesmo pessoas com grande poder aquisitivo, preferem nao ligar para telefones celulares, atraves de seus fixos, devido as tarifas altas (diga-se de passagem, absurdas), logo neste caso, a implantação de um sistema fixo pré, com cartoes a preços viaveis (uns 15 R$ no minimo), ja ajudaria bastante o sistema.

 

A População atualmente, prefere o celular pré-pago, as vezes, até por falta de informação (grande mal da população Brasileira), pois varias operadoras (espelhos e consecionarias), pois Empresas como a Telemar, ou a CTBC, ou a espelho Livre, já adotam largamente o sistema Pre-pago (a Telemar e um pouco mais "custosa" neste caso, e só oferece o sistema em ultimo caso na maioria das situações). No caso da espelho Livre, o preço do aparelho, sería o unico limitante aparente à aquisição do sistema, mas no caso, compensa, pois seria melhor comprar um aparelho CDMA WLL, por uns 199,00, do que ter que pagar 199,00 por um aparelho que apesar de movel, 95% de seus amigos ou ate clientes, nunca irão ligar para ele.

 

Qual o futuro do telefone fixo no Brasil? O nº de telefones fixos se manterá estável ou irá cair?

 

Ao meu ver, atualmente, se as Teles, não adotarem logo o AICE, ou algum sistema similar, ou, ao menos, não reduzirem um pouco as tarifas, mesmo que, "promocionalmente", o numero de telefones fixos residenciais, ira cair vertiginosamente, até que, isto aconteça, ou o preço da assinatura, seja ao menos congelado, e a população tenha certeza de que, o preço basico de uma linha, não ira subir mais, ao menos por um tempo.

 

O percentual de domicílios rurais com telefone aumentou de 15,2% em 2001 para 25,8% em 2004. O que está limitando o crescimento do número de telefones nas áreas rurais? Renda da população ou disponibilidade do serviço?

 

Provavelmente, as 2 coisas, pois telefones nas areas rurais afastadas, é uma coisa ate hoje, e pode ser possivel, que, aliado a baixa renda da população, a falta de cobertura concreta (o que ja e raro hoje, pois a maioria das areas são bem cobertas, principalmente as proximas à capitais e grandes cidades), novamente, ressalta-se a importancia do AICE, ou uma redução nas tarifas.

 

O que é mais importante para o desenvolvimento do Brasil neste momento? Aumentar o acesso da população ao telefone fixo ou à internet? Onde deveriam ser investidos recursos como o do FUST?

 

Acredito que, ao aumentar o acesso da população ao telefone fixo, o acesso à internet, será consequência futura a um medio prazo, pois até conheço por exemplo, pessoas que, possuem computador em casa, porem sem acesso a internet, por causa do preço da assinatura basica das linhas, agregado ao valor final no mes, (um usuario que usa regurlamente o telefone, e usa a internet, somente nos horarios reduzidos, sempre terá uma conta de aproximadamente uns 58,00 a 65 R$ por mes, dependendo, sendo 38 R$ só da assinatura). Neste caso, o FUST, poderia ser aplicado, como por exemplo, a criação de diversos pontos de internet comunitaria, ou criação de operadoras de acesso WI-FI comunitarias publicas, como ocorre em algumas cidades no Brasil, onde se tem um acesso bem mais veloz que a internet discada, gratuitamente, tendo o usuario, somente ter que adquirir a placa e a antena wireless, um custo as vezes, alto para alguns, mas que tem um bom retorno futuro, ou criando-se diversos "cyber-cafes", onde um usuario tera acesso a internet controlado todo mes (por exemplo, cada usuario tem o direito de usar aproximadamente 60 horas num mes, ou quase 2 horas por dia aproximadamente), para não virar bagunça, e garantir o acesso a todos em uma comunidade pequena, ou um grande local, onde a população não tem uma grande renda.

 

Como novas tecnologias como VOIP e WIMAX podem afetar este quadro? E um aumento de renda da população? Segundo o PNAD a renda do trabalhador, após 7 anos de quedas seguidas, parou de cair em 2004.

 

Não podemos pensar de forma utopica...Neste caso, estas tecnologias, so poderíam ser aplicadas, caso a computação no Brasil, ja fosse aplicada. Neste caso, se for pelo lado do WiBro Movel+voip, ae poderia-se então pensar de forma realista, pois, e conhecido que, ambas as tecnologias, tem quase custo zero de utilização, então, se por exemplo, existisse um aparelho celular, com capacidade Wibro-M+voip, a telefonia celular no pais, poderia cair, as vezes, ate a um custo zero de uso.

 

Qual o impacto da TV digital neste cenário?

 

A TV Digital, mostra que finalmente o Brasil, esta entrando no ramo da digitalização, onde varias aparelhos, sao digitais, como no 1º mundo, e que possuem qualidades muito superiores, apesar dos preços serem as vezes um pouco caros.

 

 

 

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