Seção: Comentários Teleco

 04/12/2005


Qual o limite para o crescimento do celular no Brasil?

 

O Brasil terminou Out/05 com 81 milhões de celulares e uma densidade de 44 cel/100 hab. As projeções do Teleco indicam que o Brasil deve fechar o ano com 85 a 88 milhões de celulares, o que corresponde a um crescimento de 30 a 35% no ano e adições líquidas de 19 a 22 milhões de celulares. (Veja comentário).

 

Neste cenário, volta a ganhar força o debate sobre o ritmo de crescimento do celular no Brasil nos próximos anos e a existência de um número limite, a partir do qual o mercado estaria saturado. Este número corresponderia a uma densidade limite de celulares função da renda da população, sendo portanto diferente para cada estado brasileiro.

 

A figura a seguir apresenta a posição das Unidades da Federação (UF's) em função do crescimento em 2005 (Jan-Out) e do PIB per Capita, valores de 2003.

 

 

Em 2005 (Jan-Out) a maior parte das UF's apresentaram um crescimento maior que a média do Brasil no período que foi de 23,8%. É interessante observar que tanto o Distrito Federal (DF), que apresenta a maior renda per capita, quanto o Piauí (PI) e o Maranhão (MA), que apresentam a menor, cresceram mais que a média do Brasil.

 

As UF's que cresceram menos foram as da Região Norte (Pará, Roraima, Amapá e Amazonas) e as que, depois do DF, apresentam a maior renda per capita (Rio de Janeiro, São Paulo, e Rio Grande do Sul). Estas últimas são as que apresentam a maior densidade de celulares do país.

 

Nota: Densidades calculadas para a população do ano correspondente ao mês de Julho (IBGE)

 

O gráfico acima mostra que as UF's com PIB per capita maior apresentam também densidade maior de celulares. A exceção mais notável é São Paulo com uma densidade de 49,9, e que já poderia ter uma densidade de 60, próxima à do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

 

Em Out/05, Rio de Janeiro, São Paulo, e Rio Grande do Sul possuíam 36,2 milhões de celulares (45% do total Brasil) e, com um crescimento de 18,1%, foram responsáveis por 36% dos 15,6 milhões de adições líquidas de celulares do Brasil no acumulado Jan-Out/05. O crescimento do celular nestas UF's têm um peso importante no crescimento do Brasil e tem puxado para baixo a média. Estariam estas UF's, juntamente com o DF, próximas da saturação do mercado?

 

A figura a seguir apresenta a evolução da densidade do celular nestas UF's, comparada com Portugal e a União Européia.

 

Nota: As densidades para 2005 são projeções do Teleco a partir dos dados de Out/05.

 

Portugal e União Européia passaram a crescer a taxas anuais abaixo de 10% quando a densidade de celulares se aproximou de 80 cel/100 hab. Se poderia esperar o mesmo comportamento nas várias UF's do Brasil embora com um ponto de saturação a densidades menores devido a menor renda per capita do Brasil. Assim, pode estar entre 60 e 80 cel/100 hab. o limiar a partir do qual RJ e RGS venham a apresentar um crescimento anual menor que 10%.

 

O Distrito Federal (DF) é um caso, no entanto, que desafia esta lógica. O DF possui um PIB per capita 2,5 vezes menor que o de Portugal e uma densidade de 120 cel/100 hab. em Out/05.

 

A densidade maior que 100, alcançada pelo DF, mostra que o número de celulares é maior que o número de usuários de celular. Em 2004, apesar do DF ter atingido uma densidade de 97,9 cel/100 hab, existia celular em apenas 80,2% dos domicílios. Isto ocorre pelo fato de haverem pessoas com mais de 1 celular ativo na operadora. Enquete realizada entre usuários do Teleco apontou que 53% possuíam 2 ou mais celulares ativos na operadora. Junte-se a isto as diferenças nos critérios de desligamento de celulares (ver em debate) e os celulares utilizados em sistemas de monitoração que não estão associados a uma pessoa.

 

A alta densidade de celulares no DF tem sido atribuída, além da renda per capita, ao fato de ser uma região metropolitana onde a densidade é normalmente maior que no interior do estado. Os dados do PNAD mostram estas diferenças.

 

2004
Densidade Cel/100 hab.
Domicílios com celular (PNAD)
UF
Região Metropolitana
Distrito Federal
97,9
80,2%
80,2%
São Paulo
42,0
54,3%
58,5%
Rio
53,0
59,1%
61,9%
Rio Grande do Sul
54,7
69,0%
76,6%

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • Existe um número limite de celulares a partir do qual se pode considerar o mercado brasileiro saturado? Qual?
  • A baixa renda é um limitante para o crescimento do celular ou, com os planos pré-pagos e promoções para a compra de aparelhos esta barreira pode ser eliminada?
  • Qual a densidade de celulares no Brasil a partir do qual o crescimento anual passará a ser inferior a 10%? Quando ele será atingido?
  • Como a competição e a agressividade das operadoras afeta o crescimento do celular?
  • Qual será o crescimento do celular no Brasil em 2006?
  • Como o 3G pode afetar este quadro?

Comente!

Para enviar sua opinião para publicação como comentário a esta matéria para nosso site, clique aqui!

 

Nota: As informações expressadas nos artigos publicados nesta seção são de responsabilidade exclusiva do autor.

 

 

Comentário de Clóvis

Gostaria de apresentar contribuição ao debate sobre o crescimento dos celulares no Brasil, com o seguinte ponto adicional a ser abordado:

 

Atualmente, a contabilização de linhas celulares é feita pelo número de linhas habilitadas em aparelhos ( CDMA, TDMA e AMPS ) e em Chips ( GSM ).

 

Considerando que a base AMPS e TDMA deve migrar para GSM e CDMA nos próximos 5 anos e que nesse período deve haver uma nova geração de celulares amplamente dissemindada no Brasil: a Terceira Geração - 3G - seja na tecnologia EV-DO/EV-DV ou na WCDMA/HSDPA.

 

Considerando ainda que as redes atuais CDMA/1xRTT e GSM/GPRS/EDGE já apresentam cobertura bastante ampla e possibilitam a transmissão de dados com velocidades que permitem aos usuários navegar na internet a partir de Placas PCMCIA para Notebooks (por exemplo as Placas EV-DO da Kyocera ) habilitadas na rede celular ou a partir de módulos de Dados ( por exemplo o C-18 ou G-18 da Motorola ) amplamente utilizados para Telemetria, Telecomandos, Rastreamento, etc.

 

Entendo que o debate deve focar no número efetivo de linhas habilitadas e em funcionamento (gerando contas e respectivos pagamentos pelos clientes), independente de sua aplicação (voz ou dados).

 

Além disso, tão importante quanto o número efetivo de linhas é o tráfego gerado por elas e, obviamente as receitas.

 

 

Comentário deMarcelus Nahime Astolpho

Vejo ainda um grande mercado para o Brasil com a entrada da 3G, a alta velocidade de transmissão de dados móvel pode permitir a um único usuário ter mais de cinco linhas móveis com tranqüilidade, veja exemplo abaixo que mostra o retrato partindo do principio de apenas um habitante:

  1. Rastreamento do veículo. (pessoas que possuem mais de um caro o número ainda é maior)
  2. Monitoramento Residência. (pessoas que possuem mais de uma casa ou chácara de lazer o número ainda é maior)
  3. PCCARD para acesso a internet móvel ou PDA com linha móvel.
  4. Aparelho Celular fornecido pela empresa.
  5. Aparelho Celular pessoal.

Perceba que conforme os serviços crescem o número de celulares por habitante também cresce neste caso acima podemos ter um usuário que pode ter até 10 linhas elevando o número percentual geral, por exemplo, um executivo pode ter dois notebooks ou pda’s, um da empresa e um pessoal, pode ter mais que um carro monitorado, pode ter mais que uma casa monitorada e assim sucessivamente.

 

Devemos pensar que a população com o nível de vida assim também não é tão grande, mas vemos o exemplo de Brasília que não para crescer talvez devido a esta tese, mas por outro lado pessoas que não tem computador em casa, passam com a popularização da 3G ter o seu primeiro contato com a internet através de um celular e também outro fator importante é o crescimento de celulares no meio infantil, cada vez mais cedo uma criança passa a utilizar um celular, que também deverá se tornar ainda maior com a 3G devido as facilidades de localização proporcionando segurança aos pais, provavelmente logo teremos mochilas escolares com monitoramento ou uniformes escolares assim.

 

Com o aumento da concorrência no mercado também deixa o consumidor duvidoso e faz o numero mais uma vez crescer, por exemplo: promoção para ligar para dentro da mesmo operadora a um preço interessante é uma estratégia de MKT das operadoras que tem um custo menor devido não precisar pagar tráfego para outra operadora e isso também contribui para um único usuário ter mais de um celular porque acha interessante já que um grupo de contatos utiliza aquela operadora.

 

É fato que serviços inteligentes elevam o número de celulares/hab.e acredito que não podemos amparar nos números de crescimento da Europa como base para nosso mercado, cada pais tem uma cultura e isto mostra decisões familiares diferentes em ter um celular ou não? Quantas operadoras devo utilizar? Qual a idade certa para ter o primeiro celular?

 

 

Loading
CONSULTORIA TELECO

Inteligência em Telecom

Estudos e Base de Dados

Relatórios

Celular Brasil 2016

Telecom e Capex

Venda de Planilhas

Dados históricos do Mercado Brasileiro

Workshops

Internet das Coisas
27 de Junho

Market Update

Regulamentação

Mais Produtos

 
 

EVENTOS

Workshop Lei Geral das Telecomunicações: 20 anos

21 de julho

Organizador: FIESP

Painel Telebrasil 2017

19 e 20 de setembro

Organizador: Telebrasil

Mais Eventos




LIVROS

 

 

 


Siga o Teleco

linkedin

 

...