Seção: Comentários Teleco

 09/01/2006


O que acompanhar em 2006

 

 

O ano de 2005 apresentou um crescimento do celular inferior à maioria das projeções de mercado, apesar de ter superado 30%. A oferta de serviços de VoIP aumentou de forma significativa, mas já se observa uma guerra de preços no mercado e as principais concessionárias estão iniciando suas ofertas. As operadoras de telefonia fixa renovaram seus contratos de concessão, mas assumiram novas obrigações e enfrentam grandes desafios.

 

Na Banda Larga, onde o ADSL domina, uma das operadoras de telefonia fixa registrou uma penetração bem inferior às demais. O Governo continua avançando no projeto de TV Digital, mas ainda não definiu o padrão brasileiro.

 

E, finalmente foi realizado um grande número de seminários e debates sobre o modelo brasileiro de telecomunicações, mas não há sinais de mudanças.

 

O que podemos esperar de 2006? Em cada um desses segmentos existem pontos a acompanhar.

 

Celular

 

A telefonia celular teve um crescimento de aproximadamente 30,5% em 2005, atingindo um total de 85,6 milhões de celulares. Esse resultado indica um acréscimo de 20 milhões de celulares no ano, considerando uma projeção de 3,3 milhões de novos assinantes para o mês de dezembro (a Anatel ainda não publicou estes dados).

 

Esse total, se confirmado, está na faixa inferior da previsão do Teleco, estimada entre 85 e 88 milhões de assinantes para 2005. Desde setembro que os acréscimos de número de terminais vêm se situando abaixo das projeções e dois motivos têm sido apresentados como explicação: a) as operadoras estariam reduzindo o seu ímpeto na busca do market share optando por uma maior rentabilidade, ou; b) o mercado brasileiro estaria caminhando para uma saturação em alguns estados (ver comentário Qual o limite para o crescimento do celular no Brasil?).

 

É importante notar que, quando comparado ao crescimento de quase 3 milhões em maio de 2005 (dia das mães), o crescimento de dezembro ficou realmente aquém das expectativas. Mesmo assim, um crescimento acima de 30% ainda é muito significativo.

 

Em 2005, o mercado de celular foi novamente objeto de forte concorrência. A Vivo continuou perdendo mercado e a TIM conquistando market-share.

 

Algumas questões a serem acompanhadas no mercado de celular são:

  • O crescimento do Celular continuará acelerado? Qual será o crescimento em 2006? As operadoras serão menos agressivas buscando melhorar a rentabilidade e o crescimento nos segmentos de maior ARPU?
  • Como evoluirá a receita de dados das operadoras? Será o ano das aplicações 3G? As licenças de 3G serão licitadas?
  • A Telemig e a Amazônia Celular serão finalmente vendidas? E a BrT GSM? Quem serão os compradores? Claro e Vivo vão conseguir cobertura nacional?
  • A Vivo continuará a perder market share? A TIM diminuirá a diferença em relação à Vivo ou será ultrapassada pela Claro?
  • Aparecerão candidatos para as licenças de banda E para São Paulo e Nordeste (área 10)?
  • A telefonia fixa assumirá uma posição clara de concorrente do celular?
  • Aparecerá no mercado um aparelho celular realmente de baixo custo voltado para o mercado de pré-pagos?
  • As exportações de telefones celulares continuarão crescendo?

VoIP

 

No 2º semestre de 2005 intensificou-se o crescimento do número de prestadores de serviço de VOIP via Internet. Existem atualmente 37 listados pelo Teleco (consulte a relação em VoIP). Mais recentemente, as principais concessionárias de telefonia fixa estão lançando o serviço também.

 

Algumas questões podem ser levantadas:

  • A Telemar, BrT e Telefonica irão intensificar a oferta de serviços VoIP, que canibalizam a receita dos clientes de maior poder aquisitivo?
  • Com as principais concessionárias entrando no mercado, existirão nichos rentáveis para as novas prestadoras deste serviço?
  • Com o aumento da concorrência e a subseqüente queda de preços no mercado VoIP, deverá ocorrer uma consolidação do setor. Como esta consolidação irá ocorrer? Presenciaremos um grande número de fusões de empresas ou simplesmente algumas empresas deixarão o mercado?
  • Qual será o impacto do Skype a ser lançado oficialmente no Brasil em Janeiro de 2006?
  • Como ficará a regulamentação de VoIP? A Anatel manterá sua postura de não regulamentar por tratar-se de uma tecnologia? A Regulamentação da STFC será adaptada para cobrir VOIP?

Telefonia Fixa

 

As operadoras de telefonia fixa acabaram de renovar seus contratos de concessão por 20 anos, os quais contêm novas exigências, tais como: Norma para o cálculo do IST, Norma para alteração do Regulamento de Tarifação (conversão de pulso para minuto). alteração do Regulamento do STFC e AICE. Ao mesmo tempo, enfrentam grandes desafios, como a estabilização, e mesmo queda, do número de linhas fixas, concorrência do celular, ameaça das operadoras de VoIP e a convergência de serviços.

 

Alguns pontos a serem observados na telefonia fixa em 2006 são:

  • O número de telefones fixos voltará a crescer com o AICE?
  • A competição irá aumentar? Em quais segmentos?
  • Como avançará a competição com os serviços VoIP e o com a telefonia celular?
  • A Telecom Itália irá assumir o controle da BrT?
  • A Intelig Telecom será vendida?
  • A Embratel intensificará o uso da rede da NET?
  • Quais das mudanças introduzidas nos novos contratos produzirão mais impacto em 2006?

Banda Larga e Internet

 

O Brasil possuía 3,35 milhões de Acessos Banda Larga em Set/05 e deve terminar o ano com 3,8 milhões de acessos, sendo que 82,5% utilizam ADSL. Dentre as operadoras de telefonia fixa, os percentuais de penetração do ADSL na mesma data, eram: BrT 9,3%, Telefonica 8,7% e Telemar 4,9%. Já o número de usuários com acesso a Internet é de difícil medição.

 

O crescimento do número de residências com acesso à Internet vem desacelerando, segundo o IBGE. Mas existem outras formas de acesso: o local de trabalho, a escola e centros públicos como LAN Houses. Uma pesquisa realizada pelo IPSOS (Ago/Set 2005) indica que 24,41% da população acessou a Internet nos 3 meses anteriores, o que corresponderia a 45 milhões de usuários. Por outro lado, pesquisa recente do IBOPE/NetRatings mostrou o Brasil como um dos líderes mundiais no tempo de navegação residencial.

 

Em 2006, será interessante observar:

  • O número de acessos banda larga continuará crescendo? Com que taxa?
  • E o número de usuários de Internet, aumentará?
  • A Telemar conseguirá aumentar seu número de usuários de ADSL e aproximar-se da penetração das outras duas concessionárias?
  • A TV por assinatura aumentará seu market share em relação ao ADSL?
  • Os programas de inclusão digital do Governo terão impacto no uso da internet?
  • 2006 será o ano do WIMAX? Como fica o WIFI?

Rádio e TV

 

O Governo avança no processo de escolha do padrão da TV Digital. Ao mesmo tempo, a Casa Civil da Presidência da República elabora um anteprojeto de Lei de Comunicação Eletrônica de Massa. No lado da TV por assinatura, as empresas demonstraram em 2005 um novo fôlego para investimentos.

 

Algumas perguntas para o ano que se inicia são:

  • Qual será o padrão adotado para a TV Digital no Brasil?
  • A TV Digital e o Rádio Digital irão decolar em 2006?
  • As operadoras de TV por assinatura irão adotar efetivamente o triple play?
  • A fusão da DirecTV com la Sky será aprovada pelo CADE?

Regulamentação

 

Algumas questões referentes à regulamentação já foram abordadas em outros itens. Existem, entretanto, questões importantes e ainda pendentes que poderão ser tratadas em 2006. Algumas destas são:

  • O FUST será finalmente utilizado em 2006?
  • Será aprovado um regulamento para o MVNO (revenda)?
  • A discussão de um novo modelo para o setor irá avançar?
  • A Lei de Comunicação Eletrônica de Massa será aprovada?
  • A Anatel irá avançar com a regulamentação na direção da convergência e da licença unificada?

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Nota: As informações expressadas nos artigos publicados nesta seção são de responsabilidade exclusiva do autor.

 

 

Comentário de Rodolfo da Silva Teixeira

Acredito e muito no crescimento da rede 3G, tendo em vista o avanço tecnológico das operadoras e o crescimento em nível de cobertura e market share, hoje podemos levar internet banda larga a regiões rurais e localidades de difícil acesso dentro de cidades, cujas operadoras fixas não tem rede disponível nem mesmo previsão de entrega de rede.

 

Outro detalhe importante a ressaltar é o crescimento de 2160% de clientes na Coréia, após ser intensificada a rede EVDO em um período de 10 meses, pode fazer essa projeção para o Brasil com menor crescimento, pois a massificação dos serviços pré-pagos impede em muito as operadoras em buscar novos investimentos a esse nível, mas no setor corporativo, temos uma realidade diferente, visto que as empresas têm uma maior preocupação em comunicação como também em seus gastos, elas visam nos serviço 3G mais economia e confiança sobre suas necessidades, um exemplo disso é o PTT (Push To Talkie), serviço que permite comunicação direta semelhante ao rádio que as operadoras Vivo Empresas, Claro Empresas e Nextel lançaram no mercado, como grande diferencial sobre o celular convencional.

 

Para finalizar, um ponto de vista pessoal, estamos voltando para era do Pager ou bip, usando a rede de dados para transmitir até mesmo voz, uma evolução muito interessante se a observarmos cuidadosamente.

 

 

Comentário de Rodrigo Tavares Maciel

Acredito que 2006 será marcado por outros dois acontecimentos importantes na área de regulamentação: a norma dispondo sobre a portabilidade numérica (prometida pela Anatel para 2006) e a norma sobre numeração para o SCM. Dois assuntos de enorme relevância para o setor de telecomunicações que causarão grande impacto e muitas discussões.

 

 

Comentário de Luiz Carlos Oliveira

Ante a tantas incóginitas, uma coisa é certa, quem comprar a Telemig terá uma grande rede, visto que proporcionalmente ao estado a Telemig tem a maior cobertura TDMA e GSM, mais de 400 sedes municipais e mais de 500 localidades, num dos maiores estados em termos de municípios do Brasil (853).

 

 

Comentário de Fernando de Azevedo Sampaio*

Acredito também que a entrada em vigor do novo Plano Geral de Metas para Universalização do STFC (PGMU) irá gerar um aumento do número de telefones fixos no país, com a imposição de obrigações, pelas Concessionárias do STFC, de atendimento com acessos individuais em localidades com mais de 300 habitantes e, com acessos coletivos, para localidades com mais de 100 habitantes.

 

Outra questão interessante é saber como ficará o "telefone social", proposto pelo MC, e cuja oferta seria restrita a pessoas com renda até 03 salários mínimos, em contraposição ao AICE, de oferta não-discriminatória, que faz parte do  novo PGMU.

 

*Especialista em Regulação de Telecomunicações-Área Jurídica

Gerência de Controle das Obrigações

Superintendência de Universalização

ANATEL-Brasília

 

 

Comentário de André Portes Gomes

Como acréscimo para a reportagem sobre o limite de crescimento de celular no Brasil e da tendência efetiva do mercado para 2006, podemos alcançar conclusões que possam servir para futuros estudos de nossos leitores.

 

Como o ARPU do mercado de celulares (média U$12) ainda não sustenta o grande investimento das operadoras, e visto que o segmento de celulares pré-pagos ultrapassa os 81% dos assinantes (o que reduz a receita drasticamente devido ao baixo pay-back), se faz notório que as maiores operadoras móveis (CDMA e GSM) ao já alcançarem uma base de assinantes satisfatória, devem ter suas estratégias direcionadas para a fidelização de seus assinantes com a caracterização de uma maior oferta de serviços de dados em alta velocidade com preços competitivos, que em diversos casos entrarão em disputa com os serviços da própria rede fixa.

 

A força estratégica das operadoras estará baseada na oferta de serviços para seus assinantes e na migração da escala de aparelhos:

  • Low-End para Mid-End;
  • Mid-End para High-End e Premium(EVDO e WCDMA) e assim sucessivamente até o estabelecimento da rede 3G.

E isto se dará através da oferta de novos serviços de dados(LBS, GPS, MP3 ,WMA, etc.. e aparelhos com apelos tecnológicos(como câmera de 2 a 5 megapixels com display de 262K cores para Vídeo conferência e MMS).

 

Nesta estratégia, A Vivo, a maior operadora do País, estará aumentando seu Churn e reduzindo seu market share para poder ter uma base sólida de assinantes que passarão a utilizar seus serviços de dados com maior freqüência, gerando um acréscimo gradual na receita.

 

Com isso as operadoras GSM ainda terão espaço e tempo para poder se posicionar se é inteligente aumentar a base ou fidelizar seus clientes oferecendo novos serviços e aparelhos.

 

Ao analisar friamente números diversos, acredito que 2006 o mercado será bem espelhado com 2005, com um leve declínio, mas não será saturado, onde poderemos ter um crescimento de 20~25% no mercado e um possível acréscimo de 15 milhões de celulares.

 

 

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