Seção: Comentários Teleco

26/02/06 


Os efeitos da queda do tráfego telefônico na telefonia fixa

 

O tráfego telefônico das principais concessionárias de telefonia fixa do Brasil caiu nos últimos 2 anos.

 

A Telefonica apresentou em 2005 uma queda de 5,0% no número de pulsos registrados em chamadas locais (Fixo-Fixo) e de 10,9% no número de minutos de chamadas de longa distância nacional (LDN) e de chamadas para telefones celulares (Fixo-Móvel).

 

 

A Brasil Telecom (BrT) apresentou em 2005 uma queda de 14,0% no número de pulsos excedentes em chamadas locais, 17,7% em chamadas de longa distância nacional e de 1,9% em chamadas para celulares (Fixo-Móvel).

 

 

Os dados da Telemar ainda não estão disponíveis, mas em 2004 ela apresentou uma queda de 9,3% no número de pulsos e de 6,4% no número de minutos de longa distância.

 

Tráfego local

 

O crescimento da Internet banda larga, com a consequente diminuição da utilização da internet discada, tem sido apontada como uma das causas para queda no tráfego local.

 

Outra causa apontada é o crescimento do celular, que em 2003 ultrapassou o número de telefones fixos representando em 2005 mais que o dobro destes telefones. Desta forma, estariam crescendo o número de chamadas originadas em telefones celulares, em detrimento daquelas originadas de telefones fixos. Mesmo o tráfego fixo-móvel que em 2004 na BrT cresceu 7,9%, em 2005 apresentou uma queda de 1,9%.

 

Longa distância

 

A mudança introduzida nas áreas locais em setembro de 2004, que transformou chamadas de longa distância (minutos) em locais (pulsos) em áreas conurbadas, tem sido apontada como uma das causas para a queda no tráfego de longa distância nacional (LDN).

 

 

De fato, é possível observar no caso da BrT que no 4T04 ocorreu um aumento no número de pulsos e uma queda no número de minutos de LDN. O número de minutos de LDN, no entanto, continuou caindo em 2005 atingindo no 4T05 uma redução de 17,1% em relação ao 4T04.

 

VOIP

 

Diante deste quadro cabe avaliar o o impacto das novas prestadoras de VOIP na Internet (Consulte a lista) no tráfego de longa distância nacional das concessionárias de telefonia fixa local.

 

No comentário Voip está afetando a receita da Embratel? observou-se que estes provedores ameaçaram inicialmente a Embratel nas chamadas de longa distância internacional (LDI) que reagiu reduzindo seus preços, o que provocou uma queda da sua receita líquida por minuto de 45% em um prazo de 2 anos. As concessionárias locais não foram afetadas por terem uma participação muito pequena no tráfego de LDI.

 

Em 2005 a receita líquida por minuto de chamadas internacionais (LDI) da Embratel ficou abaixo da receita das chamadas de longa distância nacional (LDN), tendência que só foi revertida no final do ano.

 

 

No 4T05 a receita líquida por minuto da Embratel (LDN e LDI) e da BrT (LDN) convergiram para um valor próximo a R$ 0,3 por minuto. Este pode ser um sinal de que as novas prestadoras de VOIP estão se tornando competitivas também nas chamadas de longa distância nacional.

 

Efeito na Receita das Concessionárias

 

A queda de tráfego não se traduziu até o momento em queda significativa na receita das operadoras.

 

A tabela a seguir apresenta o crescimento em 2005 e a participação na receita dos principais serviços na BrT e na Telefonica.

 

Receita Bruta
Crescimento em 2005
Participação na receita
BrT
Telefonica
BrT
Telefonica
Assinatura
13,5%
14,3%
25,3%
26,8%
Serviços (Pulsos)
-6,4%
6,0%
9,9%
15,3%
LDN intra-área de concessão
-7,6%
-5,7%
9,8%
10,3%
LDN para fora da sua região
40,8%
42,7%
2,2%
4,9%
Chamadas Fixo-Móvel
8,5%
4,5%
24,1%
19,9%
TUP
3,7%
20,7%
3,6%
2,1%
Comunicação de dados
53,6%
33,7%
13,6%
10,4%
Interconexão
-13,4%
-6,8%
4,5%
3,6%
Outros
12,8%

20,4%

12,8%
6,9%
Receita Bruta Total*
9,9%
10,8%
100%
100%

*BrT sem BrT GSM e Telefonica com Telefonica Empresas.

 

A receita bruta total destas operadoras cresceu cerca de 10% em 2005, valor um pouco superior ao reajuste em Jul/05 das tarifas para o serviço local (7,3%) e para as chamadas Fixo-Móvel (8%). Lembre-se que as tarifas de 2004 ficaram defasadas devido ao atrazo na aplicação da diferença entre os índices de correção de 2003 (IGPDI x IPCA) que só ocorreu no 2º semestre de 2004.

 

O número de acessos em serviço tem se mantido estável e assinatura e chamadas para celular (Fixo-Móvel) representam 49% da receita da BrT e da Telefonica.

 

Telefonica e BrT apresentaram em 2005 queda de receita nas chamadas de longa distância na sua região e crescimento nas chamadas para fora da sua área de concessão. Em 2006, com o acirramento da concorrência espera-se uma atuação destas operadoras no mercado de VOIP pela internet. Afinal as concessionárias de telefonia local possuem mais de 80% dos acessos banda larga do país.

 

A queda no tráfego telefônico nas operadoras de telefonia fixa é uma consequência natural da convergência das redes e serviços que está ocorrendo inclusive nas redes destas operadoras. O tráfego telefônico fixo tradicional, principalmente longa distância, passa a ser oferecido como um serviço de dados/Internet e o celular que agrega mobilidade vai ganhando espaço. As operadoras que acompanharem esta evolução tecnológica poderão substituir a receita de telefonia fixa por outras receitas na área de dados ou de celular.

 

 

Questões

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • A queda no tráfego telefônico deve ser motivo de preocupação para Telemar, BrT e Telefonica? É uma tendência duradoura que pode afetar a receita destas operadoras?
  • A queda no tráfego telefônico é fruto da mudança tecnológica, com a migração deste tráfego para comunicação de dados, inclusive ADSL?
  • Como Telemar, BrT e Telefonica irão se posicionar no mercado de VOIP?
  • Deve-se esperar que a Embratel e a Telefonica também integrem as suas respectivas operações fixas e móveis?

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