Seção: Comentários Teleco

 25/03/06


Tim x Vivo: Quem vai levar a melhor?

 

Vivo e Tim são as maiores operadoras de celular do Brasil. A Tim ultrapassou a Claro em 2005 e se consolidou como segunda operadora de celular do país. Mantidas as tendências atuais a Tim deve se aproximar da Vivo em 2006 e passar a disputar a primeira colocação em 2007.

 

 

A tabela a seguir apresenta uma comparação dos principais indicadores operacionais da Vivo e da Tim em 2005.

 

2005
Vivo
Tim
Celulares (milhares) 29.804 20.171
Adições Líquidas em 2005 (milhares) 3.262 6.583
População atendida
64%
82%
Tecnologia
80,6% CDMA

82,3% GSM

Pré-pago 80,7% 80%*
Churn anula
21,8%
21,9%**
VAS/ Rec. líquida de serviços
6%
6%
ARPU (R$)
28,7
33,6
MOU (minutos)
78
91

* estimativa Teleco **Tim Participações (Tim Nordeste e Sul)

 

A Tim, apesar de terminar 2005 com 68% dos celulares da Vivo, apresentou um crescimento no ano (adições líquidas) duas vezes maior. A Tim disputa um mercado maior, 82% da população do Brasil, por estar presente em todos os estados Brasileiros. Ambas as operadoras já migraram mais de 80% de sua base de clientes para a sua tecnologia principal (GSM ou CDMA).

 

Vivo e Tim apresentam valores próximos para o percentual de celulares pré-pago, churn e serviços de valor adicionado (VAS) como percentual de receita líquida de serviços. No 4T05 Aproximadamente 41% das receitas de VAS da Vivo foram provenientes de outros serviços de dados que não SMS, tais como downloads, acesso à Internet e outros.

 

A Receita média mensal por usuário (ARPU) e os minutos de uso mensal por usuário (MOU) da Tim foram superiores aos da Vivo. A Tim aumentou a sua margem EBITDA de 9,6% em 2004 para 18,2% em 2005. Já a Vivo apresentou redução na margem EBITDA de 33,4% em 2004 para 26,8% em 2005, valores superiores aos da TIM, mas com tendência inversa.

 

R$ Milhões
Vivo
Tim
2004
2005
2004
2005
Receita Bruta
14.721
15.802
8.175
11.232
Receita Líquida
10.929
11.295
6.254
8.411
EBITDA
3.652
3.024
599
1.529
Margem EBITDA
33,4%
26,8%
9,6%
18,2%
Lucro (prejuízo) liquido
(250)
(761)
(1.180)
(946)
Investimentos
1.944
2.222
2.973
2.551

 

Ambas as operadoras apresentaram prejuízo em 2005 e fizeram investimentos superiores a R$ 2 Bilhões.

 

Vivo e Tim apresentaram em 2005 receita líquida da venda de aparelhos celulares muito próximas, apesar das adições líquidas da Vivo terem sido a metade das da Tim.

 

R$ Milhões em 2005
Vivo
Tim
Adições Líquidas (Milhares) 3.262 6.583
Receita Líquida de venda de Celulares 1.641
1.616
Custo de produtos vendidos 2.425
1.720

 

O custo dos produtos vendidos foi no entanto 40% maior para a Vivo. Estes números confirmam o fato de que os aparelhos celulares CDMA apresentam um custo maior que os de tecnologia GSM, por terem uma escala menor a nível mundial.

 

Em suma, a Tim vem crescendo mais que a Vivo e conseguindo extrair uma receita maior por cliente (ARPU). A Vivo apresenta maior rentabilidade (Margem EBITDA), mas a Tim vem recuperando terreno. As principais desvantagens da Vivo nesta disputa são a falta de uma cobertura nacional e o custo dos aparelhos CDMA (Mais detalhes).

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • A Tim conseguirá ultrapassar a Vivo em nº de celulares? E em receita? Quando?
  • O que pode fazer a Vivo para reverter a tendência atual de perda de market share? Antecipar o 3G? Comprar a Telemig Celular?
  • Quem apresentará maior rentabilidade (Margem EBITDA) em 2006?
  • Como a venda do controle da Telemig Celular e/ou da BrT GSM poderá afetar este quadro, considerando-se tanto a posição e o interesse da Vivo quanto da Tim?
  • Quem vai crescer mais em revenue share?

 

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Comentário de Gustavo

 

Há tempos que se tem notado o constante crescimento da TIM em relação à VIVO, mas talvez pela adoção de uma estratégia bem simples e talvez óbvia.

 

Enquanto a VIVO investiu massivamente em 3G que ainda possui uma cobertura pequena e com poucos aparelhos - e diga-se de passagem, aparelhos caros - atingindo uma segmentação relativamente pequena do mercado. Quem está de fora chega a cogitar se o que foi investido (aparentemente muito) está gerando retorno, pois investir em transferência de dados e ampliação dessa cobertura de um serviço pouco utilizado ainda (VOIP direto de um terminal vai levar tempo, não? Se nem video streaming que seria super atraente deslanchou ainda), certamente não soou como uma tática interessante de "manutenção" de share, sendo que o grosso do mercado ainda é pré-pago, e na sua maioria pré-pagos tendem a ter um poder aquisitivo menor que consumidores pós-pagos, dificultando um retorno mais proporcional.

 

Se tratando dos pós-pagos, os planos de minutos da VIVO são contraditórios aos investimentos feitos, em todos planos não há inclusão Kbytes ou torpedos junto à franquia, e quando o consumidor experimenta justamente o que é vendido como principal atrativo, recebe em sua fatura uma cobrança geralmente considerada alta para um serviço de baixa utilização e que acaba por não passar satisfação de uso para o consumidor. Quanto à cobrança alta, a TIM e a Claro tem se mostrado com alternativas de planos mais completos ou mais variados. A ausência de planos controlados também dificulta o interesse do consumidor.

 

Existem outras considerações tecnológicas a serem relevadas como:

  • a facilidade de troca de aparelho da concorrência, algo que é muito atraente pela praticidade (vide a situação de ter um aparelho quebrado, qualquer um emprestado pode servir sem ter que ligar pra central e torcer para ter um bom atendimento);
  • a velha questão da clonagem, não pela possibilidade, mas por ter assumido publicamente a questão causa um desgaste na
  • imagem perante o consumidor;
  • variedade de aparelhos GSM por ser mais vendido em escala mundial proprocionando um preço menor para os operadoras, refletindo na questão do aparelho subsidiado, sendo aparelhos CDMA mais caros;
  • a velha questão da ausência de cobertura em Minas Gerais e Nordeste.

Trocando tudo isso em miúdos, acredito que a principal dificuldade da VIVO no momento é enxergar o que seu consumidor quer realmente, o que mercado realmente está necessitando, pois os fatos são que a TIM tem planos mais baratos e mais completos, uma cobertura não tão abrangente mas bem presente, diversidade maior de aparelhos, e o fato de apenas alguns aparelhos GSM atingirem 384Kbps não serem obstáculo para o crescimento.

 

 

 

 

 

 

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