Seção: Comentários Teleco

13/05/06 


Benchmarking: Telefonica, Telecom Italia e Telmex/A Móvil

 

Telefonica, Telecom Italia e as empresas do empresário mexicano Carlos Slim (Telmex/ América Móvil) são os 3 grupos globais com maior participação no mercado brasileiro de telecomunicações. A figura a seguir apresenta o desempenho destes grupos para o período de 12 meses encerrado em março de 2006.

 

Normas contábeis : IFRS para Telefonica e Telecom Italia e mexicanas para Telmex/ A. Móvil.

 

A Telefonica com receita de 42 bilhões de euros é o maior dos 3 grupos. A dívida líquida da Telefonica cresceu em 23 bilhões de euros no primeiro trimestre de 2006 (1T06) devido à aquisição do Grupo O2, incorporado à Telefonica em fevereiro de 2006. A dívida de 53,5 bilhões de euros é 3,2 vezes maior que o EBITDA no período. Este índice é alto quando comparado a outros grupos como a Deutsche Telekon e a Vodafone onde este índice é cerca de 2 e 1 respectivamente.

 

A Telecom Italia com receita de 30 bilhões de euros possui uma dívida líquida de 39 bilhões de euros, 3,1 vezes maior que o EBITDA no período. O endividamento foi reduzido em 815 milhões de euros no 1T06. A Telecom Itália tem vendido ativos para reduzir a sua dívida líquida. No 1T06 a Digitel na Venezuela foi vendida por US$ 425 milhões. A geração de caixa das operações da Telecom Italia, que apresenta a maior margem EBITDA do 3 grupos (44% no 1T06), tem também ajudado a reduzir o endividamento.

 

O grupo Telmex/América Móvil apresenta a menor receita (27 bilhões de euros), mas a menor dívida líquida. A dívida de 11 bilhões de euros é igual ao EBITDA no período. O grupo tem crescido a sua participação na América Latina através de aquisições, sendo a mais recente a aquisição das propriedades da Verizon na região, efetuada pela América Móvil. A Telmex anunciou em Mai/06 que pretende fechar o capital da Embratel adquirindo as ações que estão no mercado.

 

A Telefonica é o grupo com o maior número de telefones fixos e celulares. Ela possuía 131 milhões de celulares em março de 2006, sendo 28,1 milhões provenientes do Grupo O2 que possui operações no Reino Unido, Alemanha e Irlanda.

 

Nota: 100% dos acessos das operadoras controladas

 

As receitas de celular no 1T06 representaram 56% das receitas da Telefonica, 55% da Telmex/América Móvil e 43% da Telecom Italia.

 

A América Móvil com 101 milhões de celulares (1T06), sendo 94 milhões na América Latina, tem como principal concorrente a Telefonica que possuia 73 milhões de celulares na América Latina (1T06). Juntos os dois grupos representam mais de 70% dos celulares da região (mais detalhes).

 

Já a Telecom Itália tem reduzido a sua presença na América Latina estando presente apenas no Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia.

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • Quais as implicações deste cenário para a atuação destas operadoras no Brasil?
  • O crescimento da Telefonica na Europa com a aquisição do Grupo O2 e o endividamento do grupo são barreiras para novos investimentos no Brasil e na América Latina? Ela ainda estaria disposta a aumentar a sua participação na Vivo?
  • A Telecom Itália estaria disposta a vender a sua participação na Brasil Telecom para reduzir o seu endividamento? E suas operações de celular no Brasil?
  • A Telmex e a América Móvil irão aumentar seus investimentos no Brasil?
  • Quem poderia estar interessado a investir no Brasil? A Vodafone que possui uma receita anual de cerca de 50 bilhões de euros? Ou a Deutsche Telekon que tem uma receita anual de cerca de 60 bilhões de euros?

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Comentário de Augusto Ferraz

Creio que mesmo em meio à situações de aperto financeiro como vive a Telecom Itália e a Telefônica, ambas tem motivos de sobra para continuar a investir alto no país, sendo que irão diminuir o ritmo não por exclusivamente questões financeiras, mas de mercado.

 

A Vivo, tem a maior base de clientes, mas está próximo à estagnação por fatores tecnológicos, boa parte deles criados por usar o CDMA. Não que seja uma tecnologia ruim, mas ela depende de um concorrente, que não existe e provavelmente não existirá. Creio que ela irá diminuir o ritmo de investimento e aguardar as licenças 3G da Anatel e a partir daí, decidir qual rumo tomar.

 

A TIM vive mal das pernas desde que teve o problema com a Brasil Telecom. A Matriz italiana, também sofre com endividamentos e mudanças no controle acionário. Logo ela irá perder o segundo lugar para a Claro, ficará correndo por fora, caso continue no ritmo atual. A TIM já não vem investindo muito no país a um tempo, quando comparada a outras operadoras, mas se pensarmos bem, ela tem uma grande vantagem frente as outras, o fato de operar em todo país. Esta sim deveria investir pesado visto que já perdeu o mercado latino americano de vez.

 

Já no caso da Claro vejo cenário totalmente favorável. Está em grande expansão e logo irá ultrapassar a TIM. Como disse o seu dono, “nossa meta é trinta milhões”, acredito que se a Claro continuar neste ritmo e investir mais, não terão prejuízos e logo irá disputar com a Vivo. É provável que a compra da Telemig/Amazônia Celular , venha a acontecer, porém é um risco ao mesmo tempo. Pode acontecer o que ocorreu com a TIM e a Brasil Telecom, pois em Minas Gerais , já houve problemas jurídicos por questões acionárias.

 

Acredito que a Vodafone e a Deutsche Telekon possam investir no Brasil, mas não disputando novas licenças, e sim adquirindo o Grupo Telemar, afinal de contas, a Oi beira os 12 milhões, até que não seria mau negócio. Se eu fosse a Vodafone compraria a Oi, Brasil Telecom e o Grupo Amazônia/Telemig, ou até mesmo faria como a PT Telecom e a Telefônica e me aliava à Deutsche Telekon pra assumir as três menores, já daria uns 16 milhões de clientes pra começar.

 

 

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