Seção: Comentários Teleco

 18/06/06


As alternativas da Vivo para 3G

 

 

A marca Vivo nasceu no início de 2003 para reunir as operadoras da Telefonica e da Portugal Telecom no Brasil. Em Mar/03 a Vivo possuía 17 milhões de celulares e 47,1% de market share.

 

Três anos depois a marca Vivo virou empresa (Vivo Participações), consolidando as operações que utilizavam a sua marca. Em Mar/06 a Vivo possuía 30 milhões de celulares e 33,7% de market share.

 

Neste período de 3 anos, a Vivo seguiu por uma trilha diferente das demais operadoras de celular no Brasil. Consolidou sua opção pela tecnologia CDMA, enquanto as demais optavam pelo GSM. A opção pelo CDMA implicou em um investimento menor (CAPEX) mas dificultou a obtenção de cobertura nacional. O custo mais alto dos telefones celulares CDMA, em relação ao telefones GSM, limitou também a competividade da Vivo que cresceu menos que as demais operadoras no período. Consulte: Os desafios da Vivo.

 

A Vivo está agora diante de uma nova transição tecnológica para a 3ª Geração (3G) tendo diante de si duas alternativas:

  • Continuar com a opção atual (CDMA/EVDO)
  • Implantar um "overlay" GSM/WCDMA.

A opção pelo CDMA/EVDO é claramente vantajosa quando se consideram apenas os investimentos em rede (CAPEX). O EVDO é implantado como uma extensão da rede CDMA da Vivo.

 

A situação é diferente, no entanto, quando se considera um quadro mais geral. Em Mar/06 a Vivo possuía 24,8 milhões de celulares CDMA, 5,3 milhões de TDMA e menos de 100 mil AMPS. Parte significativa destes celulares, principalmente os de maior ARPU, terão que ser substituídos, com o tempo, por telefones celulares 3G. A tendência é que, assim como ocorreu com os celulares GSM, os telefones celulares WCDMA custem menos que os EVDO por uma questão de escala mundial. No curto prazo, a possibilidade de ter uma rede GSM abriria ainda à Vivo a possibilidade de oferecer telefones mais baratos (ou com menos subsídio) e com roaming nacional GSM.

 

No balanço geral, a economia alcançada no subsídio dos terminais na opção GSM/WCDM pode compensar com sobras o maior investimento em rede exigido por esta alternativa.

 

Pesa ainda contra a opção CDMA/EVDO o fato desta tecnologia ser adotada pela Telefonica apenas no Brasil e na Venezuela. Nos demais países da América Latina e da Europa o padrão é o GSM ou GSM/WCDMA.

 

A Vivo tem demonstrado ter mais pressa na implantação do 3G que as demais operadoras. Uma das razões é a necessidade de adquirir novas frequências para atingir cobertura nacional. A outra é o baixo crescimento de número de celulares e da receita da operadora, exemplificado pelos resultados da Vivo do 1º trimestre de 2006 (1T06), quando:

  • O número de celulares cresceu 11,8% (últimos 12 meses) enquanto o Brasil cresceu 30,2%. Mantida esta tendência a Vivo deve fechar 2006 com um crescimento anual abaixo dos 10%.
  • A receita líquida de serviços apresentou uma queda de 1,3% no 1T06 em relação ao 1T05. O revenue share (receita líquida) da Vivo caiu de 36,2% (1T05) para 34,3% (1T06).

Este cenário tem afetado negativamente o valor das ações da Vivo na Bovespa. O valor de mercado da Vivo em Mai/06 era de R$ 10,6 bilhões, inferior ao da Tim (R$ 14,3 bilhões).

 

A Vivo enfrenta uma situação semelhante à de outras operadoras em mercados próximos da saturação. Quando o número de celulares passa a crescer abaixo de 10% a receita tende a cair devido à competição. Novos serviços, que não voz, aparecem então como opção para aumentar a receita destas operadoras que passam a apostar em 3G.

 

Seja qual for a opção da Vivo, ela está se preparando para largar na frente na implantação do 3G no Brasil.

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • Qual e melhor alternativa de tecnologia 3G para a Vivo? Qual será a opção da Vivo?
  • A Vivo vai adquirir novas autorizações/empresas para atingir cobertura nacional?
  • A Telefonica irá adquirir a participação da Portugal Telecom na Vivo? Como esta possibilidade afeta a opção pela tecnologia?
  • Qual o impacto no mercado de uma decisão da Vivo pelo GSM/WCDMA? Que reação teriam TIM e Claro? Haveria mudanças no leque de fornecedores de redes celulares da Vivo?

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Comentário de Antonio A. Lima

Com certeza a Vivo implantara o GSM, por que é uma tecnologia que conquistou o Brasil, essa é a alternativa para ela.

 

Se a Vivo for implantar o 3G, não vai decolar, todos sabem disso um exemplo disso é o tal de Vivo Play 3G,  Quantos clientes ela tem desse serviço? Quanto ela ganhou em vendas com essa nova tecnologia? Quais cidades são cobertas pela tecnologia EVDO da Vivo?, ou seja, fez muito barulho mas até agora parece que não deu muito resultado. Quem dará R$ 1,500 a R$ 3,500 num celular? só quem tem condição, para confirmar essa hipótese, é só ver a base da telefonia celular, mais de 80% são pré pagos, ou seja, ninguém tem condição. A única forma de ela voltar a crescer no mercado é implantar o GSM, caso ela implante ela conseguirá cobertura nacional, nas regiões 10 e Minas Gerais ou se não comprando a própria Telemig. O único problema desta questão serão os fornecedores, a Vivo teria que reduzi aos poucos os pedidos dos atuais fornecedores e ao mesmo tempo contratar novos fornecedores para tecnologia GSM, ou seja, os investimentos seriam muitos altos no ínicio, mas em longo prazo teria retorno dos investimentos. Pra isso ocorrer a Telefonica teria que comprar o restante que a sua sócia tem, mas acho díficil de isso ocorrer, por que a Portugal Telecom investiu tanto no Brasil, e talvez não teria disposta a vender sua parte que tem na Vivo, tudo bem a Vivo hoje pode está dando problemas, mas mesmo assim ela é lucrativa. Agora a Claro e a TIM teria que rebolar para não perder o mercado para Vivo, no ínicio não iria da tanto medo para Claro e TIM, mas ao passar do tempo, ai sim elas a briga pela liderança pelo mercado nacional iria esquentar.

 

 

Comentário de Tiago Gebrim

A Vivo já iniciou a implantação do seu 3G no Brasil através da rede CDMA EV-DO, e vem fazendo uma grande promoção de seus serviços como o Vivo ZAP 3G, com a velocidade de conexão do PC de até 2,4 MB/s.

 

Podemos analisar que, no CDMA, a implantação de uma rede 1xEV-DO não implica em mudança de frequência, ou seja, o aparelho EV-DO pode utilizar a rede CDMA 1xRTT ou cdmaOne na falta de uma cobertura EV-DO, o que deixa a empresa mais tranquila na colocação de sua cobertura 3G.

 

A Vivo vem fazendo uma grande campanha antiGSM desde quando escolheu o CDMA, e não parece que seria muito lógico ela dar o braço a torcer agora e trocar de tecnologia.

 

Outra coisa seria o tempo gasto para trocar toda a rede por GSM e GSM W-CDMA (tempo que abriria vantagem nas operadoras que já usam GSM para colocarem seu 3G). A grande vantagem do CDMA, no caso da transição para o 3G, é o fato de a rede poder ser a mesma, com a mesma frequência. Já uma rede UMTS (GSM W-CDMA) não tem frequencia compatível com a GSM. Ou seja, teria de adquirir duas frequencias e expandir imediatamente o W-CDMA para toda a área de cobertura, visto que um aparelho W-CDMA não consegue operar no GSM comum por imcompatibilidade de frequências, e ninguém vai querer um aparelho que só funcione em algumas capitais.

 

Parece ser muito mais prático continuar com o já implantado CDMA EV-DO, e apostar na tecnologia. Ser a primeira em 3G, como já é, pode render muito mercado à Vivo, desde que saiba usar corretamente o que já está em suas mãos...

 

 

Comentário de Tiago Gebrim

Acho que a questão da migração pesa muito pela questão do 3G, mas também pela cobertura nacional.

 

Na prática, continuar com o CDMA EV-DO é a melhor opção, considerando que, na atual cobertura EV-DO, já é um 3G "meio caminho andado". Agora, se formos considerar a cobertura nacional, realmente o GSM pesaria mais. Isso porque, mesmo não tendo licensa em todo o território nacional, o cliente Vivo GSM poderia utilizar outra rede GSM, como acontece, por exemplo, com clientes da TIM.

 

Além disso, vi que simplesmente não há CDMA na Europa, o que dificulta um pouco o roaming internacional da Vivo, pela questão de ter de trocar de aparelho, e outras coisas. Com um GSM, o roaming é garantido em "qualquer lugar" do mundo, porque, realmente, é uma tecnologia muito difundida. Mas, penso, entretanto, que a escolha pelo GSM atrasaria a implantação de um 3G (W-CDMA) pela Vivo, e este espaço de tempo poderia facilitar que outra operadora GSM, provavelmente a TIM ou Claro, colocassem o W-CDMA primeiro. Aí, a Vivo perderia sua "hegemonia" 3G.

 

Resta-nos o que? Esperar... Eu, que tenho TIM e Vivo, estou tranquilo (he he he...). O que vier, será bem vindo...

 

 

Comentário de Jorge Araujo

Há pelo menos 3 anos que os portugueses da VIVO amarram a intenção dos espanhóis de migrar o quanto antes para o GSM/WCDMA. Essa questão deverá ser resolvida com a compra da participação lusa pela Telefonica Móviles. A questão tecnológica é menor do que seu impacto econômico. É questão de tempo, coisa que a VIVO não tem, ser ultrapassada pela TIM e a Claro. Com isso ficará cada vez mais difícil manter a competitividade e a lucratividade. Os espanhóis não vão admitir a perda de um dos seus melhores mercados, assim acho que a decisão pela migração para o GSM/CDMA já foi tomada e deverá ser comunicada gradualmente, na tentativa de evitar um "vexame" público. Cabe lembrar que a Qualcomm, franca defensora/patrocinadora do CDMA, também tem fortes interesses no WCDMA... Jorge Araujo-SP/SP - autorizo a publicação deste comentário.

 

 

Comentário de Alexandre Buratto

Venho estudando as tecnologias CDMA e GSM e seu mercado atual, hoje com a chegada da tecnologia NGN temos grandes avanços em se tratar de "oferta de novos serviços para os usuários e operadoras" devido a convergência das redes de voz e dados.

 

Mais focando no assunto da Vivo lançar um Overlay GSM/WCDMA nada mais é que o caminho das redes móveis rumo ao mundo IP, tanto as tecnologias GSM quanto CDMA estão cada vez mais migrando para o mundo ALL-IP, pois isso significa em primeiro lugar redução de custos para as operadoras e também oferta de novos serviços, como video streaming, TV Digital no celular, e-mail e outros.

 

No futuro com a tecnologia WCDMA nos proporcionara grandes vantagens em relação a custo-beneficio em se trabalhar com GSM ou CDMA pois podemos utilizar quase a mesma Infra estrutura, e os celulares quebraram o paradigma de serem apenas um simples aparelho para se comunicar falando!

 

 

Comentário de Francisco José de Oliveira

Quando no ano passado se falava que a Vivo tinha que se movimentar para esses dois mercados Minas e Nordeste todos pensavam que quem falava isso estava falando dentro de um óvni, devido a tecnologia pensamentos dos gestores e agora estamos discutindo qual a tecnologia que ela ira utilizar a Vivo esta saindo na frente com a tecnologia 3G e investimentos na ordem de 2 Bilhões de Euros no Brasil, isso e uma grande prova que o nosso mercado e super lucrativo e tem muito para crescer nestes anos para frente e as empresas que realmente querem se fixar e ter lucratividade no Brasil elas tem que investir em expansão, acabou a mamata de esperar o dinheiro cair no bolso tem que colocar o cofrinho para malhar e trabalhar.


Temos que saber reconhecer uma empresa que realmente esta querendo mudar não ficar para traz, buscar novos rumos e mercado ser ousada saber o que esta fazendo.

 

VIVA a VIVO parabéns para vocês o mercado de Minas e Nordeste agradece e espera sua presença, sejam bem vindos.

 

Todos nos erramos a todo tempo, mas persisti no erro que e errado.

 

 

Comentário de Ricardo Bassoi

A Vivo já esolheu o próximo passo: GSM


Com relação a mudança de estratégia da VIVO fato importante é a decisão da mesma de lançar RFP ( Request for Proposal ) no mercado dos fornecedores para a implementação de 7.800 BTS GSM , operando na frequência de 900 e 1800 MHz.


Está RFP ainda está sendo respondida, mais sabe-se que a VIVO deverá implementar está quantidade enorme de BTS em apenas 7 meses....
Vamos aguardar.

 

 

Comentário de Silviane Rodrigues

Não acho que a Vivo esteja errada em optar pelo Overlay GSM, pois obviamente estão analisando as vantagens a longo prazo, visto que inicialmente haverá um investimento alto. Porém a longo prazo haverá ganhos, como a facilidade de roaming que é bastante significativa principalmente para clientes com alto ARPU, e também devido aos ganhos de escala proporcionados pela tecnologia GSM.

 

A Vivo já possui uma vantagem tecnológica pois é a única operadora no Brasil que já possui a tecnologia 3G, sem a necessidade de aquisição de novas freqüências. Outras operadoras terão que esperar pelas novas freqüências, e ainda implementar as mudanças necessárias em suas redes, o que ainda vai levar tempo.  

 

Não acho que seja uma questão da Vivo ter que manter ou não o discurso anterior contra o GSM, etc, nem acho que tenha sido um erro optar pelo CDMA no passado. Acredito que ambas as decisões tenham sido apropriadas para o momento que a empresa estava e está vivendo agora.

 

Acho que a Vivo vem tentando passar a idéia de suas vantagens tecnológicas e não tem sido tão mal sucedida assim. Só que as vantagens que ela possui não têm muita relevância no mercado de massa brasileiro, onde os serviços de valor agregado ainda não deslancharam. Porém essa situação está mudando, os serviços de valor agregado passam a ser cada vez mais significativos na receita das operadoras, e a oferta de handsets a preço mais acessível para o mercado de massa se torna essencial. Neste caso não é tão difícil assim entender a opção da Vivo pelo Overlay GSM.

 

 

Comentário de Luis Minoru Shibata

Antes de mais nada, acredito que a Vivo deverá investir em WCDMA. Porém, não acredito que este seja o momento mais adequado.

Um investimento desse porte certamente terá impacto, o que vem fazendo as ações da empresa cair. O receio é deixar a empresa muito alavancada e com compromissos a serem honrados a médio prazo. A grande dúvida é em quanto tempo se daria o retorno desses investimentos? Por mais descontos que a operadora provavelmente conseguirá através de uma RFP, com fabricantes sedentos por um contrato, a operadora inevitavelmente também terá um aumento no CCPU (cash cost per user ou custo de manutenção do cliente) por manter além da atual TDMA/cdmaOne/CDMA1x/EVDO, a GSM/GPRS/EDGE/WCDMA em paralelo. Além disso, vale ressaltar também que deve ser considerado todo o investimento necessário no em alinhar os serviços - OSS/BSS (bilhetagem, mediação, etc.).

Olhando mercadologicamente, vale ressaltar que os clientes mais atrativos para qualquer operadora hoje, são os clientes do concorrente e não mais os novos clientes. Para atrair os clientes do concorrente, só oferecendo um pacote com aparelho melhor num plano de serviços mais vantajoso. O argumento que os preços dos aparelhos GSM são mais baratos que os CDMA são bastante válidos para os aparelhos low-end. Mas aparelhos low-end definitivamente não são o que irão atrair o cliente do competidor. Ou seja, caso a Vivo esteja procurando ganhar mercado, ampliando a base de usuários, o GSM seria sim uma solução. Porém, vai totalmente contra os pronunciamentos de proteger a rentabilidade da operadora, e faz com que a previsão de retorno desse investimento seja mais longo.

Volto a reforçar então que o caminho para WCDMA é válido. Porém, em algum tempo, o WCDMA terá uma escala mundial muito maior, fazendo com que o investimento seja menor e mais justificável. Relacionar a o crescimento menor da Vivo em relação aos seus concorrentes se dá por causa da tecnologia é duvidoso. Vale ressaltar que as pesquisas conduzidas no Brasil mostram que a maioria dos usuários não entendem de tecnologia. Tem até algumas percepcões erradas, por exemplo achando que o "aparelho não pega" e não que a cobertura da operadora é deficiente. O nosso entendimento é que os concorrentes da Vivo souberam criar pacotes de serviço, vendas e distribuição mais interessantes e se preocuparam em criar uma política de relacionamento com seus clientes de forma mais eficiente.

 

 

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