Seção: Comentários Teleco

01/10/2006


A consolidação das operadoras no Brasil. Quem vai comprar?

 

 

A agitação provocada pela possível venda das operações da Tim no Brasil é mais uma peça no complexo jogo de consolidação por que passam as operadoras brasileiras e no qual os seguintes grupos tem posições definidas:

  • Telefonica, é o maior grupo de telecom do Brasil, atuando na telefonia fixa, celular e comunicação de dados. Ensaia também a entrada no segmento de TV por assinatura, tendo solicitado à Anatel uma licença para DTH(satélite). No momento, sua prioridade principal é comprar da participação da Portugal Telecom (PT) na Vivo. A Portugal Telecom deve reduzir a sua presença no mercado brasileiro caso se concretize a sua venda para a Sonaecom.
  • América Móvil e Telmex, do empresário mexicano Carlos Slim, são proprietárias da Claro, da Embratel e possuem uma participação na Net. A Claro é a única entre as grandes operadoras de celular a não ter ações negociadas no Bovespa. A Embratel lançou oferta pública para fechar o capital.
  • Telemar passa por um momento de reorganização societária que deve levar a uma pulverização de ações (mais detalhes). Isto dará novo fôlego para a empresa se expandir.

A maior parte das mudanças nos controles acionários das operadoras estão relacionadas a um espaço compartilhado por Telecom Italia, Citi, Fundos de Pensão e Opportunity. Dois fatos devem acelerar este processo:

  • Substituição do Opportunity na gestão da Telemig e da Amazônia Celular. As assembléias realizadas em 28/09/06 (mais detalhes) indicam que a saída do Opportunity da gestão destas operadoras está próximo, abrindo caminho para a sua venda. Estas operadoras não tem escala suficiente para continuar atuando isoladamente no mercado brasileiro e vem tendo a sua posição corroída pela concorrência. A Telemig apresentou crescimento em celulares de 1,8% no 1º semestre de 2006 e a Amazônia é a única operadora de Banda A que não é lider de mercado em sua área de atuação. A Vivo aparece como a principal candidata a comprar a Telemig e a Claro a Amazônia Celular.
  • Dia 28/10/06 vence o prazo de 18 meses dado pela Anatel para que Telecom Italia e BrT eliminem a duplicidade de autorizações existentes na longa distância e entre Tim e BrT GSM. No contexto atual, a solução mais fácil para o conflito passaria pela venda da participação da Telecom Italia nesta operadora. O problema parece ser a falta de interessados. Citi e Fundos de Pensão também gostariam de vender as suas participações. A saída para a BrT pode passar por uma pulverização de ações na Bolsa, a exemplo da proposta apresentada pela Telemar a seus acionistas. Caso não surja uma solução, a Anatel pode determinar o afastamento da Telecom Italia do Bloco de controle da BrT. Uma alternativa seria o afastamento temporário da Telecom Italia, por iniciativa própria, do grupo de controle da Brasil Telecom, com a transferência de suas ações na empresa para um fundo fiduciário (trust) até que se encontre uma solução definitiva, como ocorreu na CRT, quando a Telefônica não cumpriu o prazo determinado pela Anatel.

O processo de privatização das operadoras de celular (Banda A) e a licitação de licenças de Banda B em 1997/1998 atraíram vários interessados sendo que os seguintes grupos adquiriram participação significativa em empresas: Telefonica, Portugal Telecom, Telecom Italia (Tim), América Móvil, Bell South, CTBC, Telia, Splice, Citi Bank, Fundos de Pensão, Opportunity e Bell Canada.

 

Com a licitação das Bandas D e E passou-se a uma fase de consolidação de operadoras de celular regionais em operadoras de presença nacional, sendo as principais Vivo (Telefonica e PT), Tim e Claro (América Móvil). Surgiram também a Oi e a BrT associadas às concessionárias de telefonia fixa local. Este processo tem tido como consequência a saída do setor de telecom no Brasil de vários grupos como a Bell South, Telia e a Bell Canada. A rodada atual de consolidações pode implicar na saída de outros grupos como a Portugal Telecom. A situação dos seguintes grupos ainda é indefinida:

  • O Opportunity foi afastado da gestão da BrT em 2005 e está deixando também a gestão da Telemig e Amazônia Celular. Apesar de afastado da gestão o Opportunity continua com participações minoritárias nestas empresas e na Telemar.
  • A Telecom Italia está com problemas de alto endividamento na matriz e pode vender a sua participação na BrT e até mesmo a Tim no Brasil caso consiga uma boa oferta.
  • O Citi e os Fundos de pensão gostariam de vender sua participação na BrT. Na falta de compradores, o caminho adotado pode ser o mesmo da Telemar com a proposta de pulverização de ações na Bovespa. Neste cenário, a venda da Telemig e da Amazônia Celular fazem mais sentido do que incorporação destas operadoras à BrT.

Não se deve descartar também a entrada de novos investidores, sejam eles do mercado financeiro ou operadoras internacionais. (Comentário Teleco)

 

A consolidação observada entre os grandes grupos que dominam a telefonia fixa e celular no Brasil não tirou totalmente o espaço para operadores de menor porte como CTBC, Sercomtel, Nextel, Intelig e GVT. O sucesso destes operadores depende da identificação de nichos de atuação onde podem prestar serviços diferenciados. A ampliação deste leque deve ocorre como surgimento de operadores móveis virtuais (MVNOs).

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • Qual será a atitude da Anatel caso BrT e Telecom Italia não consigam resolver a duplicidade de autorizações até 28/10/06?
  • Opportunity e Telecom Itália irão deixar o setor de telecomunicações no Brasil? O Opportunity aceitará uma posição de coadjuvante sem participação no controle das empresas?
  • O Citi/fundos de pensão irão vender a Telemig e Amazônia Celular ou incorporar estes ativos à BrT?
  • Existem novos investidores interessados em entrar no mercado brasileiro de telefonia fixa e celular?

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