Seção: Comentários Teleco

16/10/2006


Áreas com alta densidade podem estimular MVNO e 3G no Brasil?

 

A implantação do 3G está ocorrendo inicialmente em países com altas densidades de celulares (Mais detalhes). Nestes mercados o crescimento da receita não pode mais ser sustentado pelo crescimento da base de celulares, o que leva as operadoras a investir com mais força em novos serviços, como os viabilizados com as redes de 3ª Geração.

 

O Brasil terminou Ago/06 com uma densidade de 50,8 cel/100 hab, densidade baixa quando comparada à de outros paises da América Latina (mais detalhes). Na "média" o mercado brasileiro ainda está em fase de crescimento, longe do estágio de estabilização que ocorre a partir de uma densidade de 70 cel/100 hab.

 

O Brasil é, no entanto, um país de dimensões continentais e apresenta uma distribuição não uniforme de densidades quando consideradas as 67 áreas locais de celular (mesmo DDD) em que está dividido o país.

 

Existem áreas locais com densidade maior que 70 cel/100 hab, que incluem cidades como Brasília (61), Salvador (71), Porto alegre (51), Florianópolis (48) e Belo Horizonte (31). E áreas com densidades menores que 20 cel/100 hab, no interior do Amazonas (97), Pará (93), Maranhão (99), Piauí (89), Ceará (88), e Bahia (74 e 77).

 

 

Áreas com mais de 70 cel/100 hab.

 

Cinco áreas locais apresentavam densidades maiores que 70 Cel/100 hab em Ago/06. Elas são áreas de dimensões reduzidas em torno de uma grande capital e 100% da população é atendida pelas operadoras.

 

Código DDD
Principal Cidade
Líder (Market Share)
Celulares (milhares)
Cel/100 hab
Cresc. Ago
61
Brasília
Vivo (34,9%)
2.931
92,1
1,2%
71
Salvador
Oi (33,5%)
2.615
81,1
2,8%
51
Porto Alegre
Vivo (45,2%)
4.107
75,3
0,7%
48
Florianópolis
Tim (53,0%)
1.266
72,2
1,5%
31
Belo Horizonte
Oi (34,6%)
4.747
71,0
2,0%

 

Nestas cinco áreas locais estão concentrados 16,5% dos celulares do Brasil. A tendência é que estas áreas passem a apresentar um crescimento menor que a média Brasil que foi de 2% em Ago/06.

 

Nestas áreas a tendência é de que cada vez mais o crescimento da receita das operadoras passe a depender da oferta de novos serviços. Entre as alternativas estão:

  • Implantação de redes 3G viabilizando a oferta de serviços de dados que utilizam banda larga através do celular.
  • Investir na substituição do telefone fixo pelo celular com planos como o "Tim Casa".
  • Introduzir operadores móveis de redes virtuais (MVNOs) no mercado focados em nichos específicos.

 

Áreas com menos de 20 cel/100 hab.

 

Sete áreas locais apresentavam densidades menores que 20 cel/100 hab em Ago/06. Elas envolvem áreas extensas onde apenas parte da população é atendida pelas operadoras.

 

Código DDD
Principal Cidade
% Pop coberta pelo líder
Celulares (milhares)
Cel/100 hab
Cresc. Ago
88
Juazeiro
72% (Tim)
753
18,2
4,4%
93
Santarém
61% (Vivo)
198
16,2
-0,5%
99
Imperatriz
60% (Vivo)
388
14,9
3,1%
77
Barreiras
50% (Vivo)
382
14,9
3,8%
74
Juazeiro
47% (Oi)
239
13,9
5,0%
89
Picos
34% (Tim)
109
10,0
4,9%
97
Coarí
32% (Tim)
34
3,5
2,8%

 

Estas áreas locais tem apresentado um crescimento maior que a média Brasil que foi de 2% em Ago/06.

 

Nestas e em outras áreas locais, investir no aumento da cobertura ainda é uma estratégia de crescimento. Em Ago/06 o celular estava disponível para 89,5% da população do Brasil e a Tim, operadora com maior cobertura, para 85% da população.

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • Considerando-se que 51,1% dos celulares do Brasil estão concentrados em 15 áreas locais com mais de 60 cel/100 hab, e que daqui há um ano a densidade na maior parte destas áreas locais terá superado os 70 cel/100 hab, pode-se afirmar que chegou a hora de iniciar a implantação massiva do 3G no Brasil?
  • Terá sucesso uma estratégia de implantação do 3G em áreas de alta densidade (hot spots) como a adotada pela Vivo com o EVDO?
  • A proposta apresentada pela Vivo no Futurecom 2006 de implantação de uma rede única de 3G, a ser compartilhada por todas as operadoras, é vantajosa? Para quem?
  • Quais operadoras necessitarão adquirir frequências para implantar o 3G? 68% dos celulares da Banda B são GSM e utilizam sub-bandas de extensão. A Claro é a maior operadora de Banda B.
  • A baixa densidade do estado de São Paulo apresenta mais um caso curioso. Qual a explicação para a área 18 (Presidente Prudente) apresentar 39,6 cel/100 hab, densidade menor que todas as áreas locais vizinhas? A cobertura da líder Vivo nesta área é de 100% da população, da Claro 92% e da Tim 88%.
  • MVNOs poderiam ser utilizados também para viabilizar o atendimento pelas operadoras de celular de pequenos municípios e regiões distantes como as da Amazônia?

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Comentário de Max Cohn

Supondo que esteja regulamentada a entrada das MVNOs no Brasil, acho que um fator muito importante na entrada destas no Brasil é a portabilidade numérica. Com a PN, as novas operadoras móveis terão a oportunidade de explorar novos nichos de mercado a partir de um "monte" de praticamente 20 milhões de assinantes ( considerando 20% de 100M, pós pago) e esses não mais presos ao seu número de telefone. Pensando bem quase todos dos 20M de assinantes brasileiros poderiam ser encaixados em um grupo específico(nicho) do mercado. Será para as novas operadoras identificar possíveis nichos que sejam realmente rentáveis.

 

 

Comentário de Francisco José de Oliveira

Como já foi falado aqui mesmo na Teleco, o Brasil tem espaço para mais uma operadora de grande porte para encarar o mercado 3G em todo o Brasil. Principalmente no que se refere ao MVNOs já é difícil se compreender esse processo em outros paises, imagine aqui no Brasil, mas é um caminho sem volta igual ao VOIP, porém elas não perdem receitas, apenas o nome no cliente final. As operadoras têm que enxergar que o mercado é do prestador de serviço e não de uma marca especifica, o MVNOs é isso, segmentação, tratamento especial é qualidade no atendimento.

 

O que falta no Brasil é primeiramente as operadoras verem que o VAS difundindo GPRS, SMM e SMS no primeiro instante para ela tem rentabilidade, ai sim poderá estar a um passo de termos varias operadoras virtuais no Brasil.

 

No mercado, não tem a parceria e a facilidade para os integradores prestarem estes serviços para as operadoras, eles preferem e estão acostumados a vender errado voz (como mesmo vemos estatísticas no mercado para cada 10 acessos de voz de telefonia móvel, 7 são vendidos errados), ter um monte de vendedores na rua para oferecer apenas voz para as empresas e, nunca oferecer dados via mobilidade para os seus clientes. E têm um 0800 para atendimento para os seus milhões de cliente, sem diferenciação falam que têm atendimento especial, mas todos nós sabemos que Turnover das operadoras no que se refere a atendimento é muito alto.

 

O que vemos das operadoras é que algumas estão sonhando que irão entrar neste mercado para prestar um bom serviço, sendo as recordistas nos PROCONS do Brasil.

 

 

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