Seção: Comentários Teleco

15/10/2006


Cinco grupos dominam o mercado brasileiro de Telecom

 

A decisão da Telecom Italia de sair da Brasil Telecom (BrT), a saída do Opportunity da gestão da Telemig/Amazônia Celular e a aquisição da Vivax pela Net tornam mais nitidos os grupos que dominam o mercado brasileiro de telecomunicações.

 

Nota: Telemar inclui Oi e BrT a BrT GSM

 

A tabela a seguir apresenta a Receita Bruta e a Margem EBITDA destes grupos no 1º semestre de 2006. O valor de mercado da Tim era superior ao da Telemar em Set/06, apesar de apresentar uma receita bruta muito menor.

 

R$ Milhões (Jan-Jun/06)
Receita Bruta
Margem EBITDA
Valor de mercado*
Telefonica/Vivo
17.588
24,7%
35.429
Telemar
11.678
26,3%
16.509
Embratel/Claro/Net/Vivax
11.117
16,2%
N.D.
BrT/Amaz/Telemig
8.348
22,2%
8.487
Tim
6.091
16,7%
16.610

*somatória do valor das ações emitidas para negociação na bolsa em Set/06

 

No cenário regulatório atual a tendência é de consolidação do mercado nestes cinco grupos. Podem ocorrer, no entanto, mudanças no controle da BrT ou da Tim e a venda da Amazônia e da Telemig Celular. (Consulte comentário do Teleco). Mudanças mais significativas dependeriam de alterações na regulamentação que tornassem possível reunir em um mesmo grupo mais de uma concessionária de telefonia fixa. Neste caso, o controle da BrT passaria a ser disputado pela Telemar, Telefonica e Embratel (Telmex).

 

O controle de concessionárias de telefonia local tem sido até agora o maior trunfo dos grupos dos quais fazem parte Telemar, BrT e Telefonica.

 

A Telemar e a BrT adotaram uma estratégia de atuação regional voltada para alavancar serviços na região onde são concessionárias de telefonia local, apostando, por exemplo, na convergência Fixo-Móvel. Já a Telefonica possui atuação nacional, ocupando a liderança no celular com a Vivo.

 

Os grupos da Embratel e da Tim podem ser vistos como desafiantes que buscam ampliar sua participação no mercado apostando no celular e na banda larga/VoIP como substitutos da telefonia fixa convencional.

 

A decisão da Telecom Italia de vender sua participação na BrT torna mais clara a posição da Tim que com o "Tim Casa" passa a apostar de forma mais agressiva no celular como substituto do telefone fixo convencional.

 

A Embratel, que possui uma participação significativa no mercado corporativo, procura agora ampliar a sua atuação no mercado residencial através das operadoras de TV por assinatura com a oferta de banda larga e telefonia (VoIP). A Net e a Vivax possuíam juntas 1,98 milhões de assinantes de TV em Jun/06, cerca de 76% dos assinantes de TV a cabo no Brasil.

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • Controlar uma concessionária de telefonia fixa local é uma condição necessária para ocupar a liderança no mercado brasileiro de telecomunicações?
  • As estratégias de atuação regional da Telemar e BrT são sustentáveis no longo prazo? Elas terão de partir para uma atuação nacional?
  • A aparente estratégia da Tim – puro móvel - é sustentável a longo prazo? Como a TIM irá avançar na Banda Larga?
  • Como a entrada em operação do Wi-Max modificará o cenário competitivo?

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Comentário de Jorge Araujo

Ser dono de um fluxo de caixa vertiginoso e contínuo, como o gerado por monopólios como BrT/Telemar/Telefonica, sim, é uma excelente condição para investir em novos negócios e expansões - vide o que fez Carlos Slim após comprar o monopólio Telmex no México. O grupo Opportunity bem que tentou com a BrT... Enquanto for vedada a real competição direta entre esses grupos não haverá mudanças no ranking dos grandes em Telecom. Aconteceu com a Embratel o que aconteceu com a AT&T nos EUA, sem o acesso direto aos usuários perdeu fluxo de caixa e foi engolida por um investidor.

 

Na medida em que esses grupos tiverem sucesso na estratégia de "Triple A", comprando e consolidando participações, estarão melhor posicionados para os furacões do Wi-Max e Number Portability, que deverão fazer estragos em suas bases a partir de 2008. O problema da TIM é falta de dinheiro para investir, seu modelo poderá trazer-lhe fôlego com o Casa (tradicional serviço Home Zone Billing do GSM) e até VoIP via canais de dados de sua rede EDGE, mas carecerá de capacidade/volume a menos que compre licenças de Wi-Max, seria bom comprar ou ser comprada de vez pela BrT... pena que o ministro Costa trabalha para manter feudos, atropelando a ANATEL sempre que pode.

 

 

Comentário de Ricardo Bassoi

Diante deste cenário, onde os cinco grupos dominam o mercado nacional onde está o espaço para as empresas regionais ? como CTBC e Sercomtel ? empresas estas que atuam em sua área de atuação nas áreas fixa e móvel e na área de expansão, caso CTBC, na área Fixa.

 

Serão essas empresas integradas por um desses grupos ? Muito dificilmente.
Essas empresas comprarão outras ? A resposta continua a mesma, dificilmente.
O que resta então ?

 

Podemos ver, no cenário futuro, tais empresas em dois diferentes caminhos:

 

- Provedora de Meio de Acesso ou;
- Empresa voltada para um nicho de mercado específico e ainda não tão bem explorado pelas empresas pertencentes aos cinco grupos acima;

 

Qual seria a opção ? Qualquer uma das duas, no entanto o segundo cenário se mostra mais factível, onde tais empresas atuarão em um mercado específico ( "gaps" de mercado ) e implementarão parcerias com grupos nacionais e até internacionais para o provimento de novas soluções e produtos.

 

 

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