Seção: Comentários Teleco

11/11/2006


Quem vai comprar a Tim?

 

A Tim apresentou um bom desempenho no terceiro trimestre de 2006 (3T06) diminuindo para 4,6 milhões de celulares a diferença que a separa da Vivo, líder do mercado brasileiro de celular.

 

A Tim já superou a Vivo em valor de mercado (mais detalhes) e apresentou no 3T06 receita e EBITDA muito próximos da Vivo (mais detalhes).

 

 

A Tim pode, no entanto, ser vendida e nunca vir a superar a Vivo. A Telecom Italia anunciou em 6/11/006 que recebeu uma proposta (não solicitada) para aquisição das suas operações de celular no Brasil e que seu Conselho de Administração autorizou a negociação da venda.

 

Segundo o jornal Valor Econômico a América Móvil, controladora da Claro, teria oferecido cerca de R$ 15 bilhões pela participação da Telecom Italia na Tim Participações abrindo a disputa pelo controle da Tim no Brasil. Telefonica e Brasil Telecom aparecem também como candidatos.

 

Por que a Telecom Italia quer vender a Tim no Brasil?

 

A Telecom Italia está vendendo seus ativos fora da Italia para reduzir a sua dívida líquida de 39,5 bilhões de euros (Set/06), cerca de R$ 109 bilhões. Ela já vendeu suas operações na Venezuela, Chile e Peru. Colocou também a venda sua participação na Brasil Telecom. Em Set/06 o Conselho da Telecom Italia estabeleceu como estratégia o foco na convergência de serviços de telefonia fixa e móvel, banda larga e mídia na Itália e na Europa.

 

Segundo representantes do Governo Italiano a Telecom Italia espera levantar entre 7 e 9 bilhões de euros (R$ 19 bilhões a R$ 25 bilhões) com a venda da Tim no Brasil. Dificilmente a transação atingirá estes patamares. A participação da Telecom Italia na Tim Participações (81,19% das ações ordinárias e 63,7% das ações preferenciais), teria um valor de mercado de R$ 13,5 bilhões em 31/10/2006. O valor de mercado da Tim Participações nesta data era de R$ 19 bilhões.

 

Caso não fique satisfeita com o valor das ofertas, a Telecom Italia teria como alternativa uma pulverização das ações na bolsa, mantendo o controle da companhia. Ela cancelou em Jun/06 uma oferta pública para venda de ações preferenciais da Tim Participações. O valor de mercado em 31/10/2006 das ações preferenciais controladas pela Telecom Italia era de R$ 7 Bilhões.

 

Cenários com a venda da Tim

 

Apresenta-se no quadro a seguir três possíveis cenários com a venda da Tim para a Claro, Telefonica (Vivo) e Brasil Telecom (BrT).

 

3T06
Atual
Cenários com a venda da Tim
Operadora
Celulares*
(Milhares)
Market Share*
Claro+Tim
Vivo+Tim
BrT+Tim
Vivo 28.726 29,96% 29,96% 55,10% 29,96%
Tim 24.101 25,14% - - -
Claro 22.172 23,13% 48,27% 23,13% 23,13%
Oi 12.643 13,19% 13,19% 13,19% 13,19%
4.697 4,90% 4,90% 4,90% 4,90%
BrT GSM 3.051 3,18% 3,18% 3,18% 28,32%
CTBC 399 0,41% 0,41% 0,41% 0,41%
Sercomtel 82 0,09% 0,09% 0,09% 0,09%
* Dados de Set/06 (Fonte Anatel)

 

Não se espera, em qualquer dos três cenários, empecilhos de parte da Anatel ou do Cade para a efetivação da aquisição da Tim. A empresa compradora teria que devolver as autorizações nas regiões onde houver sobreposição de licenças e poderia incorporar a base de clientes da Tim à sua base.

 

Analisa-se a seguir cada um destes três cenários.

 

América Móvil

 

A América Móvil aparece como a principal candidata para adquirir a Tim no Brasil. Com a aquisição da Tim o grupo do empresário mexicano Carlos Slim formado pelas empresas Claro/Tim/Embratel/Net/Vivax seria o maior em faturamento do setor de telecomunicações no Brasil, com receita bruta de R$ 27,1 bilhões (Jan-Jun/06), desbancando o grupo formado pela Telefonica/Vivo que apresentou no período receita bruta de R$ 26,7 bilhões.

 

A aquisição da Tim faria da Claro a maior operadora de celular do Brasil com 46,3 milhões de celulares e um market share de 48,3% dos celulares do Brasil (3T06). O Brasil passaria a ter na América Móvil peso semelhante em quantidade de celulares e receita que o México, onde a Telcel possui 40,7 milhões de celulares. Consolidaria também a liderança da América Móvil na América Latina abrindo uma grande vantagem em relação à Telefonica, sua principal rival.

 

O grupo da América Móvil é o que está em melhores condições financeiras para adquirir a Tim. A dívida líquida da América Móvil era de US$ 3,5 bilhões no 3T06.

 

Os problemas maiores desta aquisição podem ocorrer no campo operacional. A Claro passaria a ter uma rede GSM duplicada em quase todo o Brasil que teria de ser integrada para reduzir os custos operacionais. A integração de sistemas pode gerar problemas como os enfrentados pela Claro quando integrou o sistema de Billing de suas operadoras. A rede se consolidaria com os seguintes fornecedores: Ericsson, Nokia e Siemens.

 

Telefonica

 

A aquisição da Tim, além de preservar a liderança da Telefonica no mercado brasileiro ajudaria a equilibrar a disputa com a América Móvil pelo mercado latino americano. Passaria também a contar, além dos clientes da Tim, com uma rede GSM cobrindo todo o Brasil. Com a aquisição o grupo Vivo/Tim passaria a ter 52,8 milhões de celulares e um market share de 55,1% dos celulares do Brasil (3T06).

 

A maior dificuldade da Telefonica é que ela acabou de adquirir o Grupo O2 de operadoras de celular na Europa. Com esta operação a sua dívida líquida cresceu em 23 bilhões de euros atingindo um total de 53 bilhões de euros (2T06). A Telefonica está ainda negociando a compra dos 50% da Vivo que pertencem à Portugal Telecom. As dificuldades operacionais ficariam restritas à integração de sistemas, as mesmas que já terá que enfrentar com a implantação do GSM. Em contrapartida, não teria o inconveniente de implantar uma nova rede em 850 Mhz e não haveria novidade quanto a fornecedores e rede.

 

A Telefonica não deve, no entanto, deixar que a aquisição da Tim no Brasil saia barato para a América Móvil.

 

Brasil Telecom

 

A Brasil Telecom (sozinha) apresenta menor condição financeira que a América Móvil e a Telefonica na competição pelo controle da Tim no Brasil. Ela pode ser, no entanto, o parceiro ideal para um operador ou investidor internacional que esteja interessado neste ativo. A Telemar deve estar temporariamente fora do jogo devido ao processo de reestruturação por que vem passando. Do ponto de vista operacional, esta seria a mais simples integração de todas, incluindo os fornecedores de rede.

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • Quem vai comprar a Tim no Brasil?
  • A venda da Tim aumenta a concentração e deixa o mercado de celular com um competidor a menos. Quais as consequências? Diminuição da competição e do crescimento? Espaço para entrada de um novo competidor?
  • Uma operadora internacional, como por exemplo a Vodafone, pode também estar interessada na Tim no Brasil?
  • Como fica a marca Tim no Brasil?
  • Como fica a venda da Telemig e Amazônia Celular neste cenário?
  • A venda da Tim seria uma oportunidade para nascer um mega grupo Brasileiro em Telecomunicações?
  • Como fica o mercado para os fornecedores de redes celulares com a venda da Tim?

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Comentário de Tiago Gebrim

A venda da TIM, na minha opinião, e provavelmente, na opinião de quase todos os "desinformados" da situação atual da Telecom Italia, é muito "fora de mão". Afinal, não teria lógica nenhuma vender a operadora que mais está crescendo, e que, em "poucos" anos no cenário nacional chegou a ameaçar a liderança de um grupo sólido como a Vivo (que, inclusive, já "nasceu" com cerca de 17 milhões de clientes, ou seja, de graça).

 

Entretanto, se a venda da TIM realmente for efetivada, considero uma perca para o país, visto que diminuiria a concorrência, que é FUNDAMENTAL para o bem estar do "bolso" e para a cabeça dos clientes.

 

Provavelmente, a Telefónica não deixaria escapar, visto que está tão difícil para manter a liderança da Vivo, e a compra da TIM pela América Móvil teria dois empecilhos: o primeiro, é que seria entregar "de mão beijada" a liderança celular para uma empresa de quem a Vivo já é "inimiga" há tempos, bem antes da TIM apontar em todo o território nacional. Em segundo, todo o dinheiro investido em novas redes, e todo esforço iria "por água abaixo", visto que a Claro ganharia uma quantidade muito grande de clientes da noite para o dia, o que encerraria definitivamente o sonho da Vivo de possuir a liderança (pelo menos nos próximos cinco, ou mais, anos...).

 

O ideal, no meu ponto de vista, é que a TIM não fosse vendida. Agora, no caso das compradoras, eu preferiria que fosse a Telefónica.

 

Quanto ao fato de a TIM ser comprada pela Brasil Telecom, penso ser uma possibilidade remota, a não ser que entrasse capital estrangeiro. Mas aí, qual seria a "graça"? Afinal, não poderia se dizer que a empresa é brasileira.

 

Vamos ver o rumo que o caso toma...

 

 

Comentário de Jonas Vieira

Com a relação à venda da TIM, eu já esperava por isso há tempos, a dívida da Telecom Itália estava crescendo, uma atitude do grupo deveria ser tomada. A atitude mais cabível realmente é a venda das suas ações. De fato, o país perde muito com a venda da TIM, pois o consumidor será prejudicado, pois a competição será reduzida. Sinceramente torço para que uma empresa estrangeira compre a TIM, como a Vodafone.

 

Pois, se a América Móvil comprar a TIM ficará anos luz a frente do segunda colocada. O mesmo aconteceria com a Telefônica. Se a Brasil Telecom entrar na briga, também causará impacto no mercado. A Brasil Telecom já uma super carrier, com a compra da TIM também estaria extremamente a frente das concorrentes. Volto a repetir a compra da TIM deve ser feita por uma empresa como a Vodafone, só assim os consumidores não serão prejudicados.

 

 

Comentário de Rafael Tolentino Bianchi

Bom, esta pergunta é bem dificil de responder, a possibilidade mais quente é a América movil comprar, mas concorrência ficaria prejudicada, assim como a Telefonica. eu aposto na BRT, que tem dinheiro em caixa para fazer aquisições, ou mesmo que o capital da TIM seja pulverizado no Novo Mercado como está acontecendo com a Telemar.

 

O ideal mesmo é que a TIM fosse comprada pelo Grupo Algar, dono da CTBC e CTBC Celular, que é tem operação miniscula de celular em 4 estados do Brasil( quase 400 mil clientes) mais a operação fixa nesta mesma area. Eles comprariam o direito de uso da marca e administraria os clientes e se transformariam na maior operação celular do país, com licença fixa (o grande sonho da Telecom Italia). Sonhar não custa nada, mas era o ideal para concorrência do país. Esperamos os próximos capitulos.

 

 

Comentário de Evandro Albuquerque Pinheiro

Acredito que a compra de TIM pelo Grupo América Móvil se revelaria com o tempo um verdadeiro "elefante branco", principalmente pela duplicidade de rede na maioria dos estados (excluindo claro a área da Amazônia Celular).

 

O resultado prático que se projeta é de um negócio de R$ 15 bi (inicialmente falando) demandaria investimentos gigantescos nas áreas técnicas e de marketing. Fora a reestruturação de RH, agentes credenciados...

 

Bom para o mercado seria a compra da Telemig/Amazônia Celular pelo Grupo mexicano. Claro que em o crescimento efetivo em Market Share não seria tão acentuado (o suficiente para dar um segundo lugar para a Claro), porém demandaria menos investimentos e provocaria situações interessantes: A ampliação da cobertura da Claro (em âmbito nacional) e a abertura de concessão nos estados cobertos pela Telemig/Amazônia Celular).

 

 

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