Seção: Comentários Teleco

17/12/2006


Balanço de 2006

 

 

Um balanço do crescimento dos assinantes dos principais serviços de telecomunicações apresenta os seguintes destaques em 2006:

  • A densidade de celulares ultrapassou os 50 cel/100 hab tendo sido adicionados à base de celulares em 2006 mais de 14 milhões de celulares, apesar da limpeza de base promovida pela Vivo em mais de 1,8 milhões de celulares em Jun/06.
  • O Brasil vai terminar 2006 com mais de 100 milhões de celulares ocupando a 5ª ou 6ª posição entre os países com mais celulares no mundo. Em 2006 ele foi ultrapassado pela Índia, mas deve reassumir a 5ª posição ultrapassando o Japão em Dez/06 ou no início de 2007.
  • A quantidade de assinantes de telefonia fixa permaneceu estagnada com as concessionárias de telefonia fixa apresentando uma redução de 1,5 milhões na quantidade de telefones fixos em serviço nos 10 primeiros meses do ano. O crescimento ficou por conta das autorizatárias. O Net Fone via Embratel, solução VOIP utilizando a rede da Net, conquistou 135 mil clientes em 6 meses.
  • A TV por Assinatura voltou a crescer em 2006 devendo terminar o ano com mais de 4,5 milhões de assinantes. Mesmo assim foi ultrapassada pela Banda Larga.

A receita das operadoras de celular cresceu 14% na comparação dos 3 primeiros trimestres de 2006 com igual período de 2005. Uma parte destes crescimento foi devido ao fim do Bill&Keep que aumentou as receitas mas também os custos de interconexão das operadoras. A Vivo, em particular, apresentou crescimento negativo em seu faturamento, podendo ser superada pela Tim no último trimestre do ano. A rentabilidade destas operadoras apresentou pequena melhora em 2006, mas a margem EBITDA continua baixa (17% em média no 3T06).

 

As concessionárias de telefonia fixa amargaram em 2006 reajustes negativos nas suas tarifas e diminuição de sua base de assinantes. A competição na telefonia local se acirrou com o celular e o VOIP. Segundo o IBGE já existem mais domicílios com celulares do que com telefones fixos no Brasil. O crescimento do faturamento só não foi negativo devido ao crescimento da receita de Banda Larga.

 

Os investimentos das operadoras foram menores em 2006 do que em 2005.

 

As exportações de telefones celulares superaram as de 2006. A Nokia apresentou redução em suas exportações e a Motorola cresceu. Segundo a Abinee em 2006 serão produzidos 74 milhões de celulares quantidade superior à produzida em 2005 (65 milhões).

 

Consolidação e Reestruturação

 

O ano de 2006 foi marcado pela consolidação e reestruturação de empresas processo que deve continuar em 2007. Merecem destaque:

  • A possível saída da Telecom Italia do Brasil com a venda da Tim e de sua participação na Brasil Telecom.
  • O crescimento do Grupo do mexicano Carlos Slim formado pela Claro, Embratel, Net e Vivax, que passou a dividir com a Telemar a 2ª posição entre os maiores grupos de telecomunicações do país. Com a compra da Tim este grupo superaria o grupo da Telefonica/Vivo, passando a ocupar a 1ª posição.
  • O processo de reestruturação da Telemar que pretendia pulverizar as suas ações na bolsa mas que teve o processo barrado pelos acionistas preferencialistas que não concordaram com a relação de troca proposta para suas ações.
  • A consolidação na TV por Assinatura com a aprovação da fusão DirecTV com a Sky, a compra da Vivax pela Net, da Abril pela Telefonica e da Way Brasil pela Telemar.
  • Finalmente, entre os fornecedores, foi concretizada a fusão da Alcatel com a Lucent e está em processo a da Nokia com a Siemens na área de infraestrutura de redes.

Fatos Relevantes

 

Cabe ainda ressaltar os seguintes fatos relevantes para o setor de telecomunicações em 2006:

  • A definição do padrão japonês de TV Digital para a TV Digital Terrestre brasileira e os testes realizados por várias emissoras com rádio digital.
  • As transformações da Vivo implantando uma rede GSM, dando baixa em clientes inativos e realinhando seus preços com o mercado.
  • A licitação de frequências para WiMAX, que teve seu desfecho adiado para 2007.
  • O adiamento, também para 2007 da conversão de pulso para minuto na tarifação das chamadas locais das concessionárias de telefonia fixa.

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • O ano de 2006 foi bom para as telecomunicações no Brasil?
  • O que esperar de 2007?
  • Como ficará o cenário competitivo com as consolidações em curso?

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Comentário de Jorge Araujo

O ano de 2006 foi importante por "marcar o fim do marco regulatório" das telecomunicações no país. O governo Lula conseguiu, depois de anos tentando, desmoralizar e atropelar as agências regulatórias, entre elas a Anatel. Vimos, pasmos, um ministro que de telecomunicações só entendia do microfone, defender os interesses de grupos empresariais em detrimento do país (populisticamente tentando cavar uma candidatura ao governo de seu estado) e criar enorme confusão no setor, espantando e postergando novos investimentos de longo prazo.

 

Apesar disso verificamos o posicionamento de grandes grupos para atuar como "triple access providers" e a derrota do CDMA com o anúncio da VIVO pela opção do GSM no longo prazo. 2007 deverá trazer um maior amadurecimento do mercado e, provavelmente, uma maior influência política nas decisões estratégicas e regulatórias, com perda de excelência e possíveis desvios estratégicos bancados por lobbies empresariais.

 

 

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