Seção: Comentários Teleco

04/03/2007


A Orascom vai comprar a BrT?

 

O interesse da Orascom Telecom, da família egípcia Sawiris, na aquisição da Brasil Telecom (BrT) voltou a esquentar as negociações envolvendo a venda, fusão e consolidação dos grupos de telecomunicações no Brasil.

 

Nota: Receita Bruta do Grupo calculada como a soma das empresas listadas na figura como compondo o Grupo. As receitas brutas da Claro, Telemar e Tim foram estimadas pelo Teleco.

 

Em 2006, os três maiores grupos de Telecom no Brasil eram a Telefonica (Telefonica/Vivo), Telemar (Telemar/Oi) e a América Móvil (Embratel/Claro/Net/Vivax). Estes grupos tem se colocado na posição de compradores, enquanto que Brasil Telecom e Tim têm sido alvo de propostas de aquisição.

 

Não fossem os conflitos societários na Brasil Telecom, que levaram ao afastamento da Telecom Itália do grupo de controle e a colocação à venda de sua participação nesta operadora, o grupo formado por Tim e Brasil Telecom seria o segundo grupo de telecomunicações no Brasil em faturamento. Este quadro fica mais claro quando se considera a quantidade de acessos em cada um dos serviços.

 

Milhões de acessos
Celulares
Fixos
Banda Larga
Telefonica/Vivo
29
12
2
Telemar (Oi)
13
14
1
Embratel/Claro/Net/ Vivax
24
1
1
Brasil Telecom
3
8
1
Tim
25
-
-

 

 

Brasil Telecom e Orascom Telecom

 

A aquisição da BrT pela Orascom Telecom poria fim ao conflito societário na operadora e consolidaria a BrT como um 4º player independente no mercado brasileiro.

 

A Orascom Telecom é controlada pela família Sawiris que controla também a Wind operadora de Telefonia Fixa e Celular na Itália. Ela possui operações de celular (GSM) na Algeria, Paquistão, Tunísia, Iraque e Bangaladesh.

 

Os mercados emergentes são o foco da atuação da Orascom Telecom, que possui também uma participação 19,3% na Hutchinson Telecommunications International (HTIL). A HTIL possui operações de celular em países so Sudeste Asiático como Indonésia e Vietnam. Ela vendeu em Fev/07 sua participação na Hutch Essar (Índia) para a Vodafone por US$11,1 bilhões.

 

O Brasil se encaixa muito bem no perfil de investimentos da Orascom Telecom nos últimos anos. Ela vendeu operações em mercados menores para concentrar o seu esforço nos mercados maiores. Acostumada a atuar em mercados com baixos ARPUs, a Orascom Telecom tem conseguido sustentar margem EBITDA superior a 40% em suas operações.

 

A Orascom parece estar disposta a adquirir não apenas a participação da Telecom Italia na BrT, mas também dos demais controladores. A operadora tem como estratégia exercer forte controle de suas subsidiárias com um procurement centralizado e uma subsidária (Ring) dedicada à distribuição de telefones celulares e SIM cards.

 

A entrada deste novo grupo internacional no mercado brasileiro daria condições da BrT expandir a sua atuação além da sua região e passando a representar o papel de comprador como os demais grupos.

 

A proposta da Orascom Telecom pela BrT acontece no momento em que a Telemar (Oi) passou a se posicionar mais fortemente na direção de uma fusão com a Brasil Telecom para criar um grande grupo de Telecomunicações controlado por empresas brasileiras. Para esta fusão ser possível seria necessário uma mudança na regulamentação que veda este tipo de operação entre concessionárias de telefonia fixa. A venda da BrT para a Orascom seria mais um revés para a Telemar, que teve sua proposta de reestruturação recusada pelos acionistas minoritários em 2006.

 

A Telefonica e a América Móvil estão tendo também dificuldades com as aquisições que planejaram. A Telecom Italia recusou a proposta da Claro para adquirir a Tim no Brasil e com o fracasso da oferta pública da Sonaecom pela Portugal Telecom (PT) (mais detalhes), a Telefonica deve ter mais dificuldades em comprar a participação da PT na Vivo.

 

Tenha ou não sucesso, o interesse da Orascom pelo mercado brasileiro deve ajudar a aumentar o valor dos ativos colocados à venda. Entre eles, além da participação da Telecom Italia na BrT, estão a Telemig e a Amazônia Celular.

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • Quem vai comprar a participação da Telecom Italia na BrT?
  • A regulamentação que veda a fusão de concessionárias de telefonia fixa como a Telemar e a BrT deveria ser modificada?
  • A vinda de um novo player internacional como a a Orascom para o mercado brasileiro é boa para o consumidor final?

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Comentário de Roberto Ulisses Marques

ntendo que a entrada de um novo player com o perfil da Orascom será benéfica ao consumidor brasileiro. O risco da ocorrer a alteração da regulamentação permitindo a fusão da Telemar/Oi com a BrT é muito grande no cenário atual e este seria o tiro de misericórdia na privatização do setor de Telecomunicações no Brasil. Voltaríamos a ter, em mãos privadas, praticamente o mesmo cenário de antes da privatização, ou seja, nenhuma concorrência.

 

Da forma que está, praticamente não existe concorrência na telefonia fixa de Minas Gerais à Manaus - imagina se ocorre uma fusão entre Telemar/Oi e BrT? Que os Faraós, do fundo de suas pirâmides, não permitam que o monopólio das telecomunicações se concretize no Brasil - o oligopólio que aqui se instalou já está além do que podemos suportar.

 

 

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