Seção: Comentários Teleco

25/03/2007


O Celular no Brasil está crescendo pouco por causa da Vivo?

 

O Brasil terminou Fev/07 com 101,2 milhões de celulares e uma densidade de 53,8 cel/100 hab.

 

As adições líquidas no mês foram de apenas 469 mil novas habilitações, o pior resultado desde Abr/03 (414 mil), com exceção de Jun/06, quando a Vivo deu baixa em mais de 1,8 milhões de celulares.

 

O baixo crescimento apresentado em Jan-Fev/07 é uma continuidade do que ocorreu em 2006, quando o Brasil apresentou um crescimento 15,9% no ano. Entre os principais países da América Latina, o Brasil foi o país que menos cresceu.

 

 

A densidade superior a 50 cel/100 hab, associada ao baixo poder aquisitivo da população, tem sido apontada como uma das causas para o baixo crescimento do celular no Brasil. O que se pode observar, no entanto, é que o Brasil além de ter crescido menos que Venezuela, Argentina, Colômbia, Chile e México, é também o país, juntamente com o México, que apresenta a menor densidade entre estes países. Ressalve-se ainda que o PIB per capita baseado na paridade de poder de compra destes países é muito próximo, com o Brasil ocupando a 4ª posição, a frente de Colômbia e da Venezuela.

 

A alta densidade (>100 cel/100 hab) não impediu também que a Rússia que possui PIB per capita próximo ao do Brasil, apresentasse um crescimento do celular de 21% em 2006,

 

O Brasil reúne algumas características de países que tem apresentado alta densidade de celular. Disponibilidade do Chip (GSM é a tecnologia majoritária), predominância do pré-pago (>80%) e 3 ou 4 competidores atendendo mais de 80% da população.

 

Por que o celular no Brasil está apresentando então um crescimento tão baixo?

 

Uma das razões é o baixo crescimento da Vivo, líder de mercado, que apresentou adições líquidas de -752 mil celulares no ano.

 

Nota: Adições líquidas = adições bruta - cancelamentos.

 

O Teleco estima que as adições líquidas da Tim, Claro e Oi representaram cerca de 43% do total de suas adições brutas. Se a Vivo tivesse apresentado também esta performance, o Brasil teria apresentado adições líquidas de celulares de 17,8 milhões em 2006 e não de 13,7 milhões como ocorreu.

 

A Vivo em 2006 implantou uma rede GSM, limpou a sua base de clientes e promoveu um realinhamento de seus preços (Vivo arruma a casa para voltar a crescer). A expectativa era de que com o início da comercialização de celulares GSM ela voltasse a crescer em 2006, o que não ocorreu nos dois primeiros meses do ano.

 

 

O comportamento apresentado em Jan-Fev/07 é um indicador de que a Vivo deve fechar o 1º trimestre de 2007 (1T07) com baixo crescimento. A Tim deve consolidar no trimestre a sua liderança em receita (revenue share) e com uma distância em relação à Vivo de menos de 3 milhões de celulares.

 

A Vivo espera virar o jogo com a ativação completa de sua rede GSM e dos serviços pós e pré-pagos a partir do final de março. Em 22/03/07 o presidente da Vivo Roberto Lima informou em entrevista coletiva que a Vivo havia conquistado 300 mil clientes GSM em 3 meses de operação de sua rede GSM, sendo 90% destes clientes novos. Estes números terão que crescer muito em abril para que a Vivo comece a apresentar adições líquidas positivas.

 

O comportamento da Vivo no 2T07, principalmente nos meses de abril e maio (dia das mães), será fundamental para avaliar as chances da operadora se manter na liderança em market share de celulares no Brasil.

 

Ao contrário da Vivo, a Telemig/Amazônia Celular apresentou adições líquidas de 77 mil celulares em 2006 e 100 mil em Jan-Fev/07.

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • A Vivo vai voltar a apresentar adições líquidas positivas? Ou continuará perdendo clientes para as outras operadoras?
  • Por que o celular está crescendo menos no Brasil? Faltam ofertas agressivas de pré-pago?
  • Qual será o crescimento do celular no Brasil em 2007?

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Comentário de Jorge Araújo

Um dia, talvez, a VIVO reencontre o caminho do crescimento, mas não agora. A VIVO perdeu, por incompetência própria, o timing da implantação do GSM e pagará muito muito caro por isso e, acreditem, ainda não aprendeu a lição. Apesar de tudo o que vem acontecendo, a VIVO continua mau posicionada estratégicamente.

 

Ao invés de fazer um "mea culpa" e abraçar uma estratégia de "mainstream" como todo líder, continua usando tecnologias de nicho típicas de player de segunda linha. Ao invés de adotar a linha do GSM 900/1800/1900Mhz como base, está adotando a linha do GSM 850/1900/1800MHz desenvolvido para mercados residuais (EUA e alguns países da Am. Lat.), parece pouca diferença mas não é: a relação de assinantes é de mais de 20:1, por isso as evoluções de rede e de aparelhos chegam primeiro para o padrão 900/1800/1900. Porque essa estupidez???!!! Para aproveitar sinergias entre as faixas de freqüência 800MHz do AMPS-CDMA? Para ter uma rede alinhada com "as Américas"? Para ter algum tipo de diferencial? Qual nada! É a ilusão de que podem torcer as decisões futuras do mercado (inclusive 3G) como tentou a finada Vésper.

 

Outra bobagem é o foco de Marketing em "qualidade", a rede GSM será pior do que a das concorrentes por pelo menos 18 meses ainda (com muita boa vontade...), o pessoal de Atendimento ao Consumidor deverá ter muito o que agradecer (pois vão ter que aumentar muito o setor para dar conta das reclamações!). Em resumo: VIVO, nem morto! E dá-lhe churn!

 

 

Comentário de Ze

A VIVO irá apresentar resultados positivos somente no final do 1 trimestre e quando completar sua cobertura nacional, sem sua cobertura nacional irá continuar perdendo clientes para as concorrentes independente de tecnologia, frequência utiizada ou postura mercadologica.

 

O crescimento de celulares no Brasil está diminuindo não por culpa da VIVO, até porque os clientes perdidos da VIVO estão migrando e nao deixando de utilizar smp, o baixo crescimento está devido a menos subsídios no novos planos de telefonia fixa e ainda serviços de smp elevados desistimulando o seu crescimento, e o mercado está atingindo uma saturação nas áreas prestadas pelas VIVO, CLARO e TIM, estas duas estão crescendo não somente com os clientes perdidos da VIVO como sua atuação ha anos em áreas que VIVO nao atua (NE e MG) por sinal estas áreas que apresentam um crescimento de celulares interessantes para as operadoras que atuam lá.

 

Se a VIVO foi ou é a responsável pelo baixo crescimento de celulares do pais ela então será a responsável pelo crescimento do mesmo, somente se agir agressivamente no pré gsm ,agora atuando com gsm os subsídios ficam mais fáceis e atrativos e se completar sua área de cobertura porque isso para o cliente final importa, se comunicar onde estiver independente da tecnologia ou frequência da mesma.

 

 

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