Seção: Comentários Teleco

05/01/2008


Por que Telecom está perdendo espaço na BOVESPA?

 

O ano de 2007 foi bom para a Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). O Ibovespa apresentou valorização de 43,6% e foram realizadas 64 ofertas públicas iniciais de ações (IPOs), que representaram uma captação de R$ 55,5 bilhões, no ano.

 

As empresas de Telecom que participam da BOVESPA não estão, no entanto, acompanhando este crescimento. O Itel, índice que agrupa ações de Telecom, apresentou uma valorização de 16,1%. O valor de mercado das principais empresas do setor cresceu menos que os 43,6% do Ibovespa.

 

Valor de mercado**
R$ Bilhões
2006
2007
Cresc.
Telemig Part.
1,9
2,6
39%
BrT Part.
8,9
12,2
37%
Oi (TNL)
15,6
16,6
6%
Vivo
15,7
15,7
0%
Embratel Part.
7,0
6,8
-3%
Telesp
26,5
23,1
-13%
Tim Part.
21,4
16,0
-25%
GVT
-
4,5
75%*

**Fev a Dez/07. A GVT passou a ter suas ações negociadas na Bovespa em 15/02/2007.

**Valor de mercado (Market Cap) de uma empresa é a somatória do valor das ações emitidas para negociação na bolsa desta empresa. (mais detalhes)

 

Mesmo a GVT, que fez um IPO bem sucedido em fevereiro, apresentou crescimento de 5% do seu valor de mercado nos últimos 6 meses.

 

As ações das operadoras de telecomunicações estão perdendo espaço entre os títulos mais negociados na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). A participação das ações das empresas de telecom (inclui Net) na carteira teórica que compõe o Ibovespa caiu de 47,8% em 2001 para 9,7% no final de 2007.

 

 

O Ibovespa retrata o comportamento das principais ações negociadas na BOVESPA. As ações de sua carteira teórica respondem por mais de 80% do número de negócios e do volume financeiro verificados no mercado à vista (lote-padrão) da BOVESPA. A participação de cada ação na carteira tem relação direta com a representatividade desse título neste mercado em termos de número de negócios e volume financeiro.

 

A queda de participação das empresas de Telecom no Ibovespa está relacionada a:

  • Diminuição do número de empresas de Telecom participantes de sua carteira teórica (19 ações em 2001 contra 12 ações em 2006). Esta diminuição é fruto da consolidação de empresas, como no caso da Vivo, e do fechamento do capital de empresas pelo grupo América Móvil/Telmex, como no caso da Embratel.
  • Baixo desempenho das ações. A ação preferencial (PN) da Oi (Telemar - TNLP4) que até 2005 era a ação mais negociada na BOVESPA caiu para a 5ª posição em 2006 e para a 15ª em 2007. A tentativa de reorganização societária da Oi em 2006 e 2007 acabou afetando negativamente o desempenho deste papel.

A Oi tentou realizar em 2006 e 2007 uma reorganização societária com o objetivo de aumentar o valor de mercado da empresa. Pretendia-se simplificar a estrutura societária e transformar todas as ações existentes em ações ON (ordinárias), que passariam a ser negociadas no Novo Mercado da Bovespa.

 

A proposta de reorganização não foi, no entanto, aceita pelos acionistas detentores de ações preferenciais que não aceitaram o preço proposto para suas ações (mais detalhes).

 

A BrT enfrentará as mesmas dificuldades da Oi para fazer uma reorganização societária semelhante.

 

É bem provável, no entanto, que Oi e a BrT passem, mais cedo ou mais tarde, por uma reorganização societária como a proposta pela Oi. No final de 2007, 92 das 156 companhias listadas na BOVESPA já faziam parte do Novo Mercado.

 

Oi (TNL) e Brasil Telecom (BrT Part.) são as empresas em que a maior parte do capital está nas mãos do mercado, grande parte como ações preferenciais (PN). A Telefonica e a Telecom Itália controlam mais de 60% das ações de suas empresas.

 

Participação dos acionistas controladores

 

% ações
ON
PN
Total
Oi (Telemar - TNL)
57,62
3,18
21,32
BrT Part.
57,09
8,41
26,34
Telemig Part.
70,11
6,91
30,41
GVT
36,05
-
36,05
NET
99,36
12,5
41,49
Vivo
89,34
47,53
62,75
Tim Part.
81,21
63,71
69,67
Telesp
85,58
89,14
87,95
Embratel Part.
98,07
97,89
97,98

 

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • Por que as empresas de Telecom estão perdendo importância na BOVESPA?
  • Você investiria em ações de empresas de Telecomunicações?
  • Oi e BrT irão levar adiante a proposta de reorganização societária em 2008?
  • A Oi irá comprar a BrT? GP e Citi irão vender suas participações nestas operadoras? Quem são os compradores?
  • Oi ou BrT podem ser adquiridas por uma outra operadora internacional como a Portugal Telecom?

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Comentário de Luciano Francioli

O que está ocorrendo com as ações das empresas de Telecom, é que o mercado especializado está vislumbrando uma tendência de solidificação da rentabilidade do negócio.

 

Se antes o setor era um reluzente "Xanadu", de possibilidades infinitas de crescimento e rentabilidade, hoje já dá para se observar que algumas de suas aparentes vantagens, na verdade trazem sérios problemas de retorno financeiro.

 

O ritmo alucinante de mudanças, que virou a marca registrada do setor, impulsionadas pela capacidade do aparelho celular de incorporar (sugar) tecnologias já existentes, que lhe valeu o apelido de "buraco negro", acabou se mostrando bastante dispendioso, pois as operadoras têm que, constantemente, investir em novas tecnologias de operação, com cada vez mais recursos e oferecer aos clientes, com valores subsidiados, novos aparelhos que possuam suporte a esses recursos, aparelhos estes, que são substituídos com uma velocidade cada vez maior.

 

A concorrência, na busca por market share e os pesados impostos nacionais, terminam por embaçar o brilho do setor, mostrando quanta "pirita" existe misturada a esse "ouro" tecnológico.

 

 

Comentário de Rodrigo Santi

Penso que os dois principais ‘drivers’ que levam o setor de telecom a perder participação na Bovespa e ter um múltiplo P/L menor são:

1) Problema de agência, muitas empresas de telecom sofrem do clássico problema brasileiro de não se importar muito com o acionista não-controlador (tb conhecido cm minoritário). O ano de 2007 teve alguns exemplos neste campo.

2) Os resultados alcançados não são tão animadores quanto os apresentados pelas duas maiores empresas nacionais cotadas em bolsa e pelo setor de serviços financeiros.

 

 

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