Seção: Comentários Teleco

11/01/2008


Existe espaço para uma nova operadora de celular no Brasil?

 

A Anatel deve colocar em licitação em 2008 uma nova faixa de frequências (H com com 10 MHz), que permitirá a entrada de uma nova operadora de celular com tecnologia 3G em todo o território nacional.

 

A Nextel, pelo apetite demonstrado na licitação de 3G realizada em 2007, aparece como a principal candidata para adquirir esta faixa de frequência. A Nextel do Brasil faz parte da Nextel Internacional (NII) que possuía 4,3 milhões de celulares no 3T07 em 4 países da América Latina (México, Argentina, Brasil e Peru).

 

A tecnologia utilizada pela Nextel (IDEN) está sendo descontinuada e a opção por uma tecnologia 3G é o caminho natural de evolução para a operadora. Os investimentos com a aquisição de uma licença nacional de 3G e a implantação da rede podem exigir, no entanto, que a Nextel amplie o seu foco para além do mercado corporativo.

 

Fora a Nextel, a possibilidade de aparecerem outros candidatos locais, como a GVT, ou internacionais, como a Vodafone, é remota. Não se pode descartar, no entanto, a hipótese de Oi e BrT virem a adquirir estas frequências de modo a completar, cada uma, sua cobertura nacional. Esta opção só existirá caso não se viabilize a fusão destas operadoras.

 

Dependendo das regras do edital, ainda há a possibilidade da faixa H ser adquirida pela Claro, Vivo ou Tim. Neste caso elas teriam de devolver parte do espectro adquirido, pois 15 MHz é o limite máximo que cada operadora pode ter nesta faixa de frequências (mais detalhes).

 

Seja qual for o resultado desta licitação, caso uma nova operadora decida entrar no mercado brasileiro, adquirindo esta faixa de frequências, enfrentará grandes dificuldades para conquistar espaço neste mercado.

 

Situação atual do mercado brasileiro

 

Em 2008, o Brasil deve passar a ter 4 operadoras de celular em cada uma das regiões do país. Três com presença em todas as unidades da federação (Vivo, Tim e Claro) e 2 regionais (Oi e BrT) que juntas apresentam também cobertura nacional.

 

A tendência é que estes 4 grupos (Vivo, Tim, Claro e Oi/BrT) dominem o mercado brasileiro de celular nos próximos anos tendo cada um market share entre 20% e 30%.

 

 

Estão ainda presentes no mercado CTBC e Sercomtel com a atuação nos municípios onde são concessionárias de telefonia fixa. A quantidade de celulares destas operadoras praticamente não cresceu nos últimos 4 anos.

 

No final de 2007, 47,9% da população e 22,1% dos municípios eram atendidos por 4 operadoras. Estes percentuais devem aumentar com a entrada da Vivo no Nordeste e da Oi em São Paulo.

 

Com os compromissos assumidos pelas operadoras na licitação de 3G, 100% dos municípios devem estar sendo atendidos pelo celular em um prazo de 2 anos.

 

Existe espaço para uma nova operadora de celular no Brasil?

 

A competição é um dos fatores que impulsionaram o crescimento do celular e a grande maioria dos países possui 3 ou 4 operadores com redes com cobertura nacional:

  • Os Estados Unidos possuem um grande número de operadoras, mas 4 delas (Verizon, AT&T, Sprint e T-Moblile) possuem cobertura abrangente e concentram 82% dos celulares.
  • A Russia possui 3 operadoras (MTS, Vimpelcom e Megafon) com cobertura nacional que concentram 84% dos celulares.
  • A grande maioria dos países da América Latina possui 3 operadoras de celular. Alguns países, como a Venezuela já chegaram a ter 5 operadoras mas, com a consolidação, este número caiu para 3.
  • Na Europa, França, Itália e Alemanha possuem 4 operadoras e Espanha e Portugal 3. A exceção fica por conta do Reino Unido com 5 operadoras.
  • O Japão possui 3 operadoras e a Austrália 4.

A "3" é um exemplo de operadora que aproveitou o lançamento da 3G para entrar no mercado em vários países da Europa. Ela iniciou sua operação no Reino Unido em 2003 como 5ª operadora e cresceu até atingir 3 milhões de celulares em março de 2005. A partir de então está tendo dificuldades em superar os 5% de market share. Já na Itália, onde foi a 4ª operadora a entrar no mercado, a "3" atingiu em 2007 cerca de 10% de market share.

 

Com um maior número de operadoras a tendência é para uma queda nas margens ebitda e dificuldades de atingir economias de escala, principalmente em um país das dimensões do Brasil. Em um quadro pulverizado de players a tendências é que eles se concentrem nos mercados principais, como o corporativo, e não sejam estimulados a implantarem uma cobertura intensiva.

 

Se, de um lado, o espaço para novas operadoras está se estreitando, de outro, o mercado brasileiro parece estar ficando maduro para operadoras focadas em nichos como as operadoras móveis virtuais (MVNOs). Grandes operadoras com dezenas de milhões de clientes não conseguem atender bem estes segmentos e apresentam um custo de aquisição mais alto.

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • Existe espaço para uma nova operadora de celular, com atuação nacional, no Brasil? Quem seriam as candidatas?
  • Quem comprará a licença nacional de 3G (banda H) que será licitada?
  • A ANATEL flexibilizará as regras para aquisição da banda H?
  • Uma fusão de Tim com a Vivo poderia abrir espaço para uma nova operadora no Brasil?
  • O Brasil terá MVNOs em 2008?

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