Seção: Comentários Teleco

02/03/2008


A Oi/BrT seria uma Supertele?

 

No noticiário sobre a compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi, a nova empresa resultante (Oi/BrT) tem sido denominada de Supertele. Caso se concretize esta aquisição, a Oi/BrT seria realmente uma Supertele?

 

O adjetivo se justifica se "Tele" for entendido como sinônimo de concessionária de telefonia fixa. A Oi/BrT será a única concessionária de telefonia fixa local em todas as unidades da federação, exceto São Paulo e municípios atendidos pela CTBC e Sercomtel.

 

Se "Supertele" for entendido, no entanto, como Superoperadora de telecomunicações o emprego do "super" poderia ser questionado.

 

A Oi/BrT seria a maior operadora de telecom do Brasil com faturamento de R$ 42 bilhões em 2007. Ao contrário do que acontece com outros grupos de telecom no Brasil, ela integraria suas operações de telefonia fixa e celular em uma única empresa.

 

A vantagem da Oi/BrT diminui, no entanto, quando se considera como grupos as operadoras que possuem um mesmo controlador e se adiciona seus faturamentos.

 

Nota: Receitas de 2005, 2006 e 2007 considerando a composição atual do grupo com Vivo incorporando Telemig, Oi a Amazônia e Net a Vivax.

 

A vantagem da Oi/BrT para o Grupo da Telefonica/Vivo é de 2% (R$ 898 milhões). Os dois grupos teriam apresentado o mesmo faturamento em 2007 se a Oi não tivesse adquirido a Amazônia Celular.

 

Note-se que em 2007 a Oi foi ultrapassada pelo Grupo da Claro/Embratel/Net e a BrT pela Tim. A receita da Oi e da BrT cresceu menos devido à baixa participação do celular na sua receita total (17,6% e 12,7% respectivamente). Mantidas estas tendências o Grupo da Telefonica pode ultrapassar a Oi/BrT em 2008.

 

A tabela a seguir apresenta a participação da Oi/BrT na quantidade de acessos fixos em serviço, celulares, banda larga e TV por assinatura em 2007.

 

-
Fixo
Celular
B Larga**
TV por
assinatura
Telefonica/Vivo 30,4% 30,9% 28,9% 4,3%*
Claro/Embratel/Net 5,1% 25,0% 18,7% 48,3%
Oi (Telemar)Way 36,2% 14,4% 20,8% 1,0%
Tim
-
25,9% 0,0% -
BrT 20,5% 3,5% 21,9% -
Outros 7,8% 0,4% 9,7% 46,4%
Total 100% 100% 100% 100%
Oi/BrT 56,7% 17,9% 42,7% 1,0%

* DTH e MMDS adquirido da TVA; ** B Larga 3T07

 

A Oi/BrT seria líder em banda larga mas continuaria com baixa participação em celular e na TV por assinatura.

 

Posição na América Latina

 

Com a aquisição da BrT a Oi/BrT passaria a ser o 3º grupo em receita líquida em Telecom na América Latina, ultrapassando a Telecom Italia.

 

* Fonte Telefonica, consolida apenas 50% da receita líquida da Vivo e não inclui Telemig.

Nota: Receitas líquidas divulgadas pelas operadoras ccnvertidas para USD no cambio de Dez/07

 

A receita líquida de US$ 16,2 bilhões estaria distante, no entanto, da dos maiores grupos mundiais, como AT&T (US$ 119 nilhões), Verizon (US$ 93,5 bilhões) ou Telefonica (US$ 83 bilhões).

 

A competição no Brasil

 

Independentemente da questão semântica, a formação da Oi/BrT estaria em linha com as tendências mundiais de consolidação entre operadoras. Ganhos de escala, serviços móveis e a oferta de pacotes com vários serviços (Voz, banda larga e TV) tem favorecido esta tendência.

 

A consolidação de operadoras poderá beneficiar o usuário se elas deixarem de se concentrar nas regiões onde são concessionárias de telefonia local e passarem a competir nacionalmente.

 

Isto já acontece no celular. A Oi/BrT passaria a ser a 4ª operadora de celular com cobertura nacional e com melhores condições para disputar o mercado com Vivo, Tim e Claro.

 

Na telefonia fixa e na banda larga só a Embratel/Net compete nacionalmente, embora com uma cobertura limitada. A competição nestes segmentos deve aumentar com a chegada da banda larga móvel (3G) e com as operadoras de celular, como a Tim, entrando no mercado de telefonia fixa.

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • A Oi/BrT seria uma Supertele?
  • Uma empresa formada por Oi/BrT teria condições de crescer internacionalmente? Ou acabaria tendo de se associar com outras operadoras como a Portugal Telecom?
  • A aquisição da BrT pela Oi irá aumentar a competição no Brasil?
  • O PGO deve ser modificado para acabar com a restrição à consolidação de concessionárias de telefonia fixa?
  • O BNDES deve financiar a aquisição da BrT pela Oi?
  • Os demais grupos deverão ser contemplados com flexibilizações na regulamentação?
  • Há espaço para novos entrantes no Brasil?

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Comentário de Eial Sztejnberg

Parabéns aos autores pela brilhante análise sobre a metéria devo considerar que.

-Não vejo espaço para atuação de novos entrantes

na América Latina.

-A competição continua um pouco desigual, uma vez a constante corrida e renovação tecnologica propocia as empresas globais um diferencial competitivo. Estas tecnologias e serviços sao lançadas por arqui já após seus testes em outros países. Assim foi com o SMS, 3G e etc.

-Não vejo como as Supertele podem se financiar para se expandir seu se endividar.

- Os Serviços migram para uma convergência portanto a telefonia fixa não tem muito espaço pra crescer , a receita virá cada vez mais de serviços de dados e de outros SVAS.

A supertele terá que investir muito para atingir a eficiência operacional de seus competidores.

Portanto é aguardar e verificar.

Obviamente existe um interesse do governo, mas até quando, na extinta
SEI (Secretaria Especial de Informática assistimos um processo similar) depois da abertura, a história fala por si só.

Parabéns aos meus amigos da Teleco.

 

 

Comentário de Jorge Araujo

O governo brasileiro perdeu a oportunidade de sacramentar há anos a criação da “Brazuca” ou Supertele, como se fez no México com a Telmex, reservando-se um golden share e colocando grupos nacionais no comando desses imensos “cash cows”.

 

A partir da geração de caixa dessas empresas poderíamos comprar a Portugal Telecom e todas as outras pequenas Teles da América Latina, partindo para um processo de internacionalização sustentável.

 

A BrT nunca foi uma empresa, mas sim um condomínio em pé de guerra e um desperdício de tempo. Se esse ministro Costa entendesse alguma coisa de telecomunicações já teria agido sob o manto do interesse nacional e determinado que a Brazuca tivesse as TODAS as ferramentas necessárias para sua consolidação e expansão, além de vantagens competitivas iniciais sobre as empresas multinacionais no mercado local.

 

Quem não defende seu quintal acorda com o vizinho fazendo buracos no seu jardim...

 

 

Comentário de Filipe Alves

Senhor Jorge Araujo, apenas um reparo: a Portugal Telecom não é uma “pequena telecom”. Para lhe dar uma ideia, a facturação da Portugal Telecom no mercado português é quase equivalente ao volume de negócios da Oi e da Brasil Telecom juntas. Se lhe adicionar a facturação da Vivo, da marroquina Meditel e da angolana Unitel, verificará que o Grupo Portugal Telecom é maior que a nova Supertele…

 

 

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