Seção: Comentários Teleco

12/07/08 


A competição na Telefonia Fixa Local no Brasil

 

O total de acessos fixos em serviço do Brasil cresceu até 2005 quando atingiu um total de 39,8 milhões. Em 2006 ele apresentou um queda de 1 milhão de acessos, mas voltou a subir em 2007 até atingir 39,5 milhões no 1T08.

 

 

A recuperação ocorrida em 2007, deve-se ao crescimento das empresas autorizadas, principalmente Embratel e GVT, uma vez que a quantidade de acessos em serviço das concessionárias continuou em queda.

 

 

No primeiro trimestre de 2008 (1T08), as concessionárias de telefonia local (Oi, Brasil Telecom, Telefonica, CTBC e Sercomtel) possuíam 34,8 milhões de telefones fixos em serviço enquanto as empresas com autorização para prestar o serviço de telefonia tinham 4,7 milhões de acessos em serviço.

 

No final do 1T08 as concessionárias representavam 88,2% dos acessos fixos em serviço do Brasil enquanto as autorizadas eram responsáveis por 11,8%. No final de 2006 esses percentuais eram de 92,0% e 8% respectivamente.

 

%
2003
2004
2005
2006
2007
1T08
Concessionárias
97,2%
95,9%
94,2%
92,0%
88,9%
88,2%
Autorizadas
2,8%
4,1%
5,8%
8,0%
11,1%
11,8%
Total
100%
100%
100%
100%
100%
100%

 

A figura a seguir apresenta a evolução dos acessos em serviço das principais operadoras:

 

Nota: A Embratel incorporou a Vésper em 2006

 

Ou seja, a competição na telefonia local no Brasil, apesar de ser ainda reduzida, passou a ganhar corpo a partir de 2006 com a aquisição da Vésper pela Embratel e as autorizadas respondem por 11,8% dos acessos fixos em serviço.

 

A competição na telefonia fixa em 2007 (localidades com pelo menos dois provedores ) estava, restrita a 7,5% dos municípios, mas que correspondiam a 61% da população. É importante lembrar, no entanto, que as autorizadas não oferecem serviço para toda a população destes municípios.

 

Ou seja, existe competição nos grandes centros urbanos, principalmente no mercado corporativo e de renda mais alta, mas em cidades com menos de 65 mil habitantes praticamente não existe competição.

 

Da mesma forma que vem acontecendo no Brasil, os acessos fixos comutados em Serviço nos Estados Unidos vêm diminuindo desde o ano 2000, quando o total era de 192,4 milhões. Em Junho de 2007 este número já era de 163,2 milhões.

 

A participação das CLECS (Competitive Local Exchange Carriers), equivalentes às autorizadas no Brasil, era de 17,1% dos 163,2 milhões de acessos existentes nos Estados Unidos (Jun/07).

 

Receita de Serviço Local

 

O ano de 2005 foi o de maior crescimento de receita de serviço local por parte de todas as operadoras. A partir de então houve diminuição e somente as receitas da Embratel e da GVT continuaram crescendo.

 

Nota:Empresas incluídas Oir, BrT, Telefonica, Embratel e GVT

 

As concessionárias Oi, BrT, Telefonica, juntas, são responsáveis por 93,4% da receita de serviço local, enquanto as autorizadas Embratel e GVT possuem um participação bem menor.

 

Receita de Serviço Local 2005 2006 2007
Oi 36,8% 36,1% 36,0%
BrT 23,8% 23,0% 22,9%
Telefonica 35,8% 36,1% 34,5%
Embratel 2,3% 3,1% 4,4%
GVT 1,4% 1,7% 2,2%
Total 100,0% 100,0% 100,0%

 

 

Considerando as operadoras Oi, BrT e Telefonica, a receita de serviço fixo-fixo (fixo-fixo) corresponde a 59% do total da receita bruta de serviço local e a receita de uso da rede fica com 3,9% deste total.

 

Nota: Empresas incluídas Oi, BrT e Telefonica

 

E por fim, as concessionárias apresentam maior índice de cumprimento das metas de qualidade que as autorizadas. Porém o atendimento telefônico e a falta de atendimento pessoal são metas de qualidade que precisam ser melhoradas na telefonia fixa.

 

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • Os acessos em serviço da telefonia fixa vão ainda continuar estagnados ou tendo leve quedas? O que pode mudar este quadro?
  • Como vai se manter a competição das grandes concessionárias de telefonia local no mercado?
  • As empresas autorizadas vão melhorar o desempenho da qualidade de serviço?
  • Tecnologias como WiMax e 3G podem mudar o cenário competitivo na telefonia fixa local?

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Comentário de Edson Ferro

 

Prezados,

Em minha opinião, o quadro atual da Telefonia Fixa no Brasil, requer uma análise maior em vários aspectos, antes de concluirmos se haverá uma estagnação ou uma possível queda.

 

Desde a privatização, a principal meta do governo era criar acesso a Telefonia Fixa para todos os lares brasileiros. Em 1.998, não se falava em telefonia celular como se fala agora. O que aconteceu é que as operadoras de telefonia móvel,conseguiram uma larga expansão com os telefones pré-pagos, utilizando uma enorme publicidade no varejo que induziu as classes de baixa renda ao consumo destes aparelhos e levando o governo e as operadoras de telefonia fixa, a uma espécie de esquecimento do que era a meta de 1.998, ou seja, levar telefone fixo a todos os lares brasileiros.

 

Criou-se pouco tempo depois da privatização, o “Fundo de Universalização do Sistema de Telefonia - FUST”, que até onde se compreende, visava ou busca ainda, fazer O Telefone Fixo chegar em todos os locais e lares brasileiros. Afinal, o fundo refere-se a “Universalização”, que acredito significar uma grande abrangência capaz de permitir acesso ao Telefone Fixo para todos os cidadãos.

 

Fazer valer de uma vez por todas esse projeto, elevaremos o Brasil aos níveis de acesso a telefonia, como os verificados nos países do primeiro mundo, onde a proporção atinge em média 65% do total da população, enquanto no Brasil atinge apenas 22%. Tomando a França como exemplo, verificamos que existem 40 Milhões de linhas em serviço para uma população de 63 Milhões, sendo que de 2.004 a 2.007, houve um acréscimo de cerca de 5 Milhões de linhas fixas em serviço.

 

Utilizar o Fust para levar computadores para as escolas e logicamente a banda larga, é o que mais se ouve nas esferas institucionais, porém esquecem que seria muito mais eficaz para o desenvolvimento do jovem carente, se ele pudesse ter o computador em sua própria casa com o Notebook de US$ 100,00 tão propalado nestas mesmas esferas. Mas é preciso notar que para o jovem acessar a Internet, ele irá necessitar de uma linha telefônica fixa e que esta mesma não necessita obrigatóriamente de uma banda larga pois o acesso poderá ser feito pelo menos pela Internet discada.

 

Outro futuro que já se vislumbra muito para o crescimento da telefonia fixa, é o uso das Tvs a cabo, onde nota-se já um grande crescimento da Embratel e Net.

 

Faço aqui também, um outro comparativo com a França. Estive neste país no ano passado e pude verificar nas lojas, que haviam modens para sintonia de TV a cabo, banda larga e telefone fixo (tudo em um só aparelho) sendo vendidos por apenas $ 40,00 Euros. Fácil de instalar, ou seja, plug and play.

 

Outro fator que acredito esteja mascarando muito a inclusão das pessoas com acesso a telefonia, trata-se do número de celulares em operação. Quando se diz que existem cerca de 120 Milhões de celulares no Brasil, estão se esquecendo que existe uma grande parcela de pessoas que possuem 2 ou mais aparelhos e portanto, não significa que 120 Milhões de pessoas possuem o celular. Na minha empresa mesmo acontece um exemplo de 2 celulares por pessoa, uma vez que temos 26 linhas interligadas com 26 pessoas conversando com um custo fixo, sendo que estas 26 pessoas possuem tambem seus aparelhos particulares.

 

Notória tambem, é a necessidade de crescimento da Telefonia Fixa para a boa sobrevivência do telefone celular, ou seja, sem a telefonia fixa, a arrecadação do celular seria até certo ponto danosa para as empresas operadoras. Nota-se como exemplo, a arrecadação média nas contas dos celulares bastante abaixo da arrecadação média das contas dos fixos. Recente levantamento feito pela LatinPanel e divulgado na Gazeta Mercantil de 27/03/08, mostra o absurdo da arrecadação de um telefone pré-pago na Grande São Paulo ser de apenas R$ 9,23 e no Centro Oeste do país de apenas R$ 15,11. Lembro que 83% dos aparelhos são pré-pagos.

 

Outro fator que acredito ser relevante no que diz respeito aos gastos pessoais dos aparelhos celulares, é que por ser um produto de altíssimo manuseio, a possibilidade de quebra do mesmo é muito grande. Aí está a relevância do assunto pois, encaminhar um aparelho para a assistência técnica é um martírio muito grande e o gasto com um conserto chega a custar um valor próximo de um aparelho novo. Eu mesmo já sofri esta experiência , “tive que esperar 30 dias pelo conserto do meu aparelho e gastei 75% do valor do produto para conserto”. Só aceitei este custo, pois havia apenas 4 meses que eu havia comprado o produto e o defeito que ele apresentou, não era coberto pela garantia. Acredito que este mesmo problema esteja acontecendo com milhões de pessoas.

 

O brasileiro viciou-se no celular e todo vício é prejudicial. Utiliza-se o celular indiscriminadamente e sem uma real necessidade. Chega a atrair ansiedade nas pessoas e ultrapassa os limites da privacidade. Esta febre deverá ceder. Por falar em febre, fica tambem a questão que até agora ninguém concluiu, que é a questão da radiação do celular fazer mal as pessoas. Desconfia-se na mesma proporção que desconversa-se.

 

Concluindo e voltando ao tema da Telefonia Fixa, acredito que a competição irá aumentar entre as operadoras e as TVs a cabo. Desta forma, a qualidade irá aumentar muito e o custo irá cair bastante. Se o FUST for utilizado finalmente para a sua real essência, a coisa ficará muito boa para a população.

 

Agradeço a atenção,

 

 

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