Seção: Comentários Teleco

27/07/2007


O Brasil onde todos têm um celular

 

No final de 2007, já existiam no mundo 47 países com uma densidade de mais de 100 cel/100 hab. Na América Latina, a Argentina é um destes países.

 

O Brasil terminou o 2º trimestre de 2008 (2T08) com uma densidade de cerca de 70 cel/100 hab. Algumas áreas locais da telefonia celular (mesmo DDD) já convivem, no entanto, com densidades próximas destes países com mais de 100 cel/100 hab.

 

As cinco áreas locais com maior densidade do Brasil concentravam no 2T08 22,6% dos celulares do país e apresentavam uma densidade média de 96,3 cel/100 hab.

 

Cinco áreas locais mais densas no 2T08

 

 

DDD
Cidade Principal
Densidade
Celulares
(milhares)
Crescimento em 2008
71
Salvador
119,96
3.937
9,9%
61
Brasília
106,84
3.525
8,9%
31
Belo Horizonte
97,68
6.680
7,9%
51
Porto Alegre
90,34
5.028
6,6%
21
Rio de Janeiro
89,06
10.920
8,8%
Total áreas mais densas
96,30
30.090
8,4%
Total Brasil
69,52
133.169
10,1%

 

 

A tendência, quando os países atingem densidades maiores que 100 cel/100 hab., é a diminuição do ritmo de crescimento. O crescimento médio dos principais países da Europa que apresentam densidades maiores que 100 cel/100 hab. em 2007 foi de cerca de 12% (Alemanha, Espanha, Itália, Portugal e Reino Unido).

 

No entanto, estas 5 áreas mais densas do Brasil cresceram 8,4% nos primeiros 6 meses de 2008, um pouco abaixo da média Brasil no período (10,1%). Este é mais um indicador de que o crescimento do celular no Brasil continua acelerado.

 

É importante lembrar que uma densidade maior que 100 cel/ 100 hab., não implica necessariamente em que todos possuem um celular. Muitas pessoas possuem 2 ou até 3 celulares ativos, principalmente em países com grande quantidade de celulares pré-pagos e com predominância do GSM (Chips). Por outro lado, as pesquisas têm mostrado que o percentual de usuários de celular no Brasil é maior do que daqueles que possuem um telefone celular. Segundo a pesquisa TIC Domicílios do NIC.Br realizada em Set/07, 51% possuíam telefone celular e 66% utilizavam o celular (mais detalhes).

 

Quais são as operadoras líderes nestas áreas locais?

 

A Vivo foi a primeira operadora a entrar em operação nestas 5 áreas locais (Banda A). Ela mantém a liderança, no entanto em apenas duas destas áreas (51 e 21).

 

51
Banda
2007
2T08
Vivo
A
42,6%
42,0%
Claro
B
30,3%
30,1%
Tim
D
16,3%
16,3%
BrT
E
10,8%
11,7%

 

21
Banda
2007
2T08
Vivo
A
31,9%
31,2%
Claro
B
28,9%
28,5%
Oi
D
23,5%
25,2%
Tim
E
15,8%
15,2%

 

Note-se que nestas duas áreas locais a posição em market share de cada operadora é a mesma da ordem de entrada em operação no mercado (1º Banda A, 2º Banda B, 3º Banda D e 4º Banda E). Em 2008 os líderes de mercado (Vivo e Claro) apresentaram uma pequena perda de market share para as outras 2 operadoras.

 

Nas demais áreas locais a ordem de entrada no mercado não corresponde mais à posição em market share. A Oi é a líder em market share nas áreas locais 71 (Salvador) e 31 (Belo Horizonte).

 

71
Banda
2007
2T08
Oi
D
33,2%
37,0%
Tim
B
25,6%
23,9%
Claro
E
23,0%
21,6%
Vivo
A
18,2%
17,5%

 

Note-se que a Oi vem ampliando suas liderança nestas duas áreas locais. Já a Vivo, Banda A na área 71 (Salvador) ocupa a 4ª posição em market share.

 

31
Banda
2007
2T08
Oi
D
31,0%
33,4%
Vivo
A
28,1%
27,0%
Tim
B
28,4%
26,1%
Claro
E
12,6%
13,5%

 

A Claro é líder na área 61 (Brasília), mas a Brasil Telecom é a operadora que tem ganho market share e está se aproximando da Vivo e da Claro.

 

61
Banda
2007
2T08
Claro
B
34,7%
33,2%
Vivo
A
28,4%
27,3%
BrT
E
21,3%
23,4%
Tim
D
15,6%
16,1%

 

 

Diante desse quadro, pergunta-se:

  • Quando o Brasil vai atingir uma densidade de 100 cel/ 100 hab.?
  • O que vai mudar quando isto acontecer?
  • Que operadoras estão mais bem preparadas para esta fase?
  • A entrada da Unicel e da Oi em São Paulo pode levar a área 11 a ter uma densidade maior que 100 cel / 100 hab?
  • E as demais áreas de São Paulo (12, 13, .. etc).

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Comentário de Augusto Ferraz

Creio que em meados de 2010, a média nacional ficará em torno dos 100cel/habitante, resultando também numa alta maior em certas localidades. A este ponto, as operadoras, terão de reaprender à vender seus serviços, como já ocorre em Salvador, onde existem promoções principalmente para o ramo de pré-pagos muito agressivas em relação à outras localidades.

 

Ganhará quem tiver o melhor marketing e não necessariamente o melhor serviço, como também já ocorre em Salvador, onde as operadoras que lideram possuem a menor cobertura e os custos mais altos.


Em São Paulo, se por ventura a Unicel realmente começar a operar, ocorrerá um movimento migratório dos usuários pré, se esta fazer por merecer, porém, em se tratando do DDD11, ela não irá influenciar no aumento da densidade. No interior será determinante o aumento se sua cobertura superar as outras em qualidade.


O Brasil onde todos tem celular, se tornará num país onde todos tem dois celulares ou mais. O rítmo de crescimento agora será definido pela qualidade de serviços oferecidos e principalmente nos VAS relacionados com a rede 3G. Por mais que o investimento seja alto, investindo nesta rede, primeiramente, os usuários serão pos-pagos, garantindo assim uma maior rentabilidade no caixa. Preparadas? As maiores estão, a exemplo de Claro, Vivo e TIM.

 

Oi e Brasil Telecom, se unidas, terão um maior potencial para integrar serviços e ampliação de capacidade da rede. Separadas, a Oi por exemplo, já demonstra sinais de que não tem condições de liderar mercado já existindo um movimento para outras operadoras nas regiões 71 e 31.

 

 

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