Seção: Comentários Teleco

30/08/2008


O que muda com a portabilidade no Brasil?

 

A possibilidade de trocar de operadora mantendo o número telefônico é, sem dúvida, um benefício para os usuários. E para as operadoras, o que muda? A taxa de perda de clientes (Churn) irá aumentar? Quais operadoras serão prejudicadas? Quais levarão vantagem?

 

Estas perguntas começarão a ser respondidas a partir de 1º de setembro de 2008, quando terá início a portabilidade numérica para a telefonia fixa e celular em 8 áreas de mesmo DDD do Brasil, correspondentes a 9,6% da população ou cerca de 17,5 milhões de clientes (mais detalhes).

 

 

A ativação da Portabilidade nas 59 áreas de código DDD restantes ocorrrerá entre Nov/08 e Mar/09, sendo São Paulo (11) em Mar/09 e Rio de Janeiro (21) em Fev/09.

 

A portabilidade deverá ter impacto diferente no celular e na telefonia fixa. Enquanto 88% da população é atendida por mais de uma operadora na telefonia celular, este percentual é de 52% na telefonia fixa.

 

Portabilidade no celular

 

A partir de 1º de setembro de 2008 a portabilidade numérica estará disponível para 10,1% dos celulares do Brasil (Jul/08) e envolverá todas as operadoras de celular.

 

 

Total de Celulares por operadora nas 8 áreas com portabilidade

 

Milhares Celulares
M. Share
% do Total
da operadora
Vivo
5.339
38,9%
13,0%
Tim
3.053
22,3%
8,9%
Claro
3.425
25,0%
10,2%
Oi
781
5,7%
3,7%
BrT
1.011
7,4%
20,0%
CTBC
39
0,3%
9,5%
Sercomtel
71
0,5%
100,0%
Total 8 áreas
13.719
100%
10,1%

 

 

A Vivo é a líder em market share em 6 das 8 áreas locais e como operadora de Banda A, a mais antiga, deve sofrer a maior pressão das demais operadoras.

 

 

 

A Vivo perdeu market share em 2008 em 4 áreas locais (14, 67, 17 e 62), nas demais a situação permaneceu estável. Este quadro será alterado com o início da portabilidade numérica?

 

 

 

Portabilidade na telefonia fixa

 

 

O impacto da portabilidade numérica na telefonia fixa deve ocorrer nas grandes cidades onde existem autorizadas para concorrer com a concessionária. Embratel, com o Livre e o NetFone, e a GVT devem ser as maiores beneficiadas com a portabilidade numérica para telefones fixos, principalmente nos clientes corporativos, que apresentam receita bem superior à dos clientes residenciais.

 

A Tabela a seguir apresenta a evolução dos acessos fixos em serviço das concessionárias em cada uma destas cidades em 2008.

 

 

Área DDD Estado Cidade Concessionária
Acessos*
Dez/07
Acessos * Jun/08
14 SP Bauru Telefonica
92.027
92.567
17 SP São José do Rio Preto Telefonica
118.373
118.668
27 ES Vitória Oi
125.903
124.903
37 MG Divinópolis Oi
50.369
50.367
43 PR Londrina Sercomtel
151.937
151.629
62 GO Goiânia BrT
357.309
352.789
67 MS Campo Grande BrT
170.588
169.025
86 PI Teresina Oi
104.335
113.083

* acessos individuais, não inclui TUP.

 

Em 2008, só se observou alteração na quantidade de acessos individuais em serviço das concessionárias em Goiânia e Teresina. Este quadro será alterado com a portabilidade numérica?

 

Portabilidade no mundo

 

A portabilidade numérica já está presente em vários países do mundo, principalmente Estados Unidos e Europa (mais detalhes). As regras mudam de país a páis, principalmente no referente ao preço cobrado e ao prazo requerido para a mudança, que pode chegar a mais de R$ 80,00 (Reino Unido) ou a semanas (Holanda).

 

Na América Latina, o primeiro país a introduzir a portabilidade numérica foi o México em Jul/08.

 

A experiência internacional tem mostrado que no longo e médio prazo a portabilidade numérica é absorvida pelas operadoras e passa a ter pouca influência no churn. No curto prazo, no entanto, ela pode influenciar o ambiente competitivo, principalmente se as operadoras não se prepararem para este novo cenário.

 

No Japão, por exemplo, onde a portabilidade numérica para o celular foi introduzida em Jul /06, ela ajudou a Softbank conquistar a liderança em adições líquidas, superando as líderes de mercado NTT DoCoMo e KDDI (mais detalhes).

 

 

 

Apesar de estar disponível para apenas 9,6% da população o acompanhamento desta fase inicial da ativação da portabilidade numérica no Brasil permitirá observar a reação das operadoras e o impacto produzido no mercado.

 

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • O que muda com a portabilidade?
  • Quem será beneficiado com a portabilidade numérica?
  • Quem terá interesse em manter o número telefônico? O baixo preço (R$ 4,00), associado ao subsídio das operadoras irá incentivar uma maior utilização da portabilidade na troca de operadora?
  • Como ela afetará o churn das operadoras?
  • Qual será a estratégia das operadoras?
  • Com a portabilidade numérica fica mais difícil identificar a que operadora pertence um número telefônico? Isto irá tornar menos vantajosos planos promocionais para chamadas dentro da rede de uma mesma operadora?

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Comentário de Augusto Queiroz

Com a entrada da Portabilidade Numérica em algumas cidades no Brasil, os clientes (de todas as operadoras destas cidades) serão beneficiados com várias vantagens. Clientes de operadoras de Banda A (no caso de operadoras de telefonia móvel no Brasil) por exemplo, optavam antes por não mudar de número pelo fato de "ter aquele acesso móvel há anos" e que não queriam ter o trabalho de informar às pessoas de sua agenda telefônica (por exemplo) o novo número. Esta prática de Portabilidade Numérica já é adotada em vários países e esta novidade chegou enfim ao Brasil. Muitas vezes um cliente (ainda de telefonia móvel) deixa de aproveitar "aquela promoção" da Operadora X por que é cliente assíduo da Operadora Y mas ela não faz promoções ou campanhas para conquistar aquele cliente constantemente.

Nenhum cliente (seja de operadora fixa ou móvel e com planos pré ou pós) deixará de ser atendido pela portabilidade. Quem ganha não é somente as Operadoras (no quesito Market Share) mas também os usuários da telefonia. Trocar de operadora pode parecer algo catastrófico por conta do fato de "não saber se o acesso chamado ainda está na rede da Operadora". Clientes com prefixos 84XX que ligam para outros com o mesmo prefixo 84XX terão dificuldades iniciais para saber se gastará crédito ou bônus (neste caso para clientes pré), uma vez que as Operadoras têm promoções acirradas que beneficiam ligações IR M/M (ligações intra-rede para clientes da mesma operadora) e ligações para telefones fixos.

Outra vantagem oferecida durante a troca de operadoras é que os acessos poderão ficar "fora do ar" por no máximo 2 horas. É como se o cliente trocasse de Operadora enquanto almoça e descansa. O custo de R$ 4,00 determinado pela ANATEL (cabe às Operadoras aderirem ou não) foi apenas para não dizer que era "fácil demais" e que a Operadora receptora deveria cobrar (caso venha aderir) como "custo de manuntenção" (assim creio eu). Muitas operadoras gratutamente SIM Cards (operadoras que operam no GSM) contendo o número da operadora concorrente.

Vale a pena ressaltar que todo cliente que aderir à Portabilidade Numérica deve ficar atento às características de seu aparelho móvel (clientes da telefonia móvel) para que não se sintam lesados. A frequência adotada pela Vivo (na região Norte), por exemplo, é 850MHZ mas opera em aparelhos tribands (os comercializados pela própria Vivo) e quadribands (comercializado em qualquer mercado). Se um cliente Vivo quer trocar de operadora mas seu aparelho celular é dualband, deverá arcar com despesas para a aquisição de um aparelho dualband (na frequência da Operadora escolhida), ou triband (geralmente os comercializados na Vivo aceitam as demais operadoras) ou ainda então quadriband (comercializado em qualquer mercado). O mesmo vale para o contrário. É o caso de um cliente Tim que tem aparelho celular dualband (geralmente frequência 900/1800MHZ) que quer mudar para a Vivo. Deverá arcar com despesas para adquirir aparelhos que possuam frequência 850/1900MHz. Acredito também na possibilidade de as operadoras estarem preparadas para este tipo de eventualidade.

Uma boa estratégia para as operadoras manterem aumentarem sua base de clientes poderá ser as promoções mais agressivas não só voltadas para novos clientes como para clientes atuais. Promoções que "mexam" nas tarifas dos planos contratados. Temos a exemplo a Claro que tem a "Promoção Fidelidade Pré" (como o próprio nome diz, voltado para clientes pré) onde todo cliente pré da Operadora Claro será beneficiado com a tarifa mais em conta a cada período de tempo como cliente. A partir de 12 meses até 18 meses incompletos, o cliente passa a participar da categoria Fidelidade Bronze. No período entre 18 meses e 24 meses incompletos o cliente entra na categoria Fidelidade Prata. E acima de 24 meses o cliente entra na categoria Fidelidade Ouro, onde suas tarifas vêm caindo gradativamente. Promoções semelhantes a esta poderão ser ofertadas tanto nos planos pós pago ou em outras operadoras.

Caso a Operadora X ou Y não invista pesado para manter seus clientes, poderão ter seu market share ameaçado e acabar perdendo mercado, independente do Estado ou Região. Isso vale para todas as operadoras. Muitas oferecem as mil vantagens para adquirir novos clientes como, por exemplo, a oferta de aparelhos subsidiados agregados à promoções tentadoras. O que falta realmente é isso: Maior compromisso com seus clientes.

 

 

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