Seção: Comentários Teleco

02/11/2008


Como acelerar o crescimento da banda larga no Brasil?

 

O Teleco estima que o Brasil terminou o 3º trimestre de 2008 (3T08) com 9,6 milhões de acessos banda larga fixos e uma densidade de 5,0 acessos/100 hab (mais detalhes).

 

 

Além destes acessos fixos existiam 1,95 milhões de acessos banda larga móvel 3G (Anatel), com uma densidade de 1,1 acessos/100 hab.

 

As projeções do Teleco indicam que o Brasil deve terminar 2008 com 10,2 milhões de acessos banda larga fixos o que corresponderia a uma densidade de 5,4 acessos por 100 habitantes. Estas densidades estão ainda muito distantes da faixa de 30-35 acessos/100 hab. encontradas em países da Europa e da Ásia.

 

Mantidas as tendências atuais, o Brasil deve terminar 2009 com 12,5 milhões de acessos banda larga fixo e uma densidade de 6,4 acessos/100 hab.

 

Como acelerar o crescimento da banda larga no Brasil?

 

A competição promovida pela Net estimulou o crescimento

 

A Net, com a oferta de pacote triple play (TV por Assinatura, Banda Larga e telefonia), se tornou a principal concorrente da Telefonica, Oi e Brasil Telecom (BrT), na oferta de banda larga no Brasil.

 

A Net ultrapassou a Oi no 3T08 e assumiu a 2ª colocação em market share no Brasil.

 

 

Esta tendência já vinha se delineando desde o 2T08, quando a Net ultrapassou a BrT (mais detalhes).

 

A Net vem liderando o crescimento da banda larga no Brasil com adições líquidas muito superiores às das demais operadoras.

 

 

Oi e BrT estão encontrando dificuldades para expandir em um ritmo mais acelerado a sua base de assinantes banda larga. Já a Telefonica parece ter tido mais sucesso. Além da aquisição das operações de MMDS da TVA implantou uma rede de fibra óptica nos Jardins em São Paulo e está fazendo implantações de redes de fibra óptica em condomínios de alto poder aquisitivo.

 

A oferta de banda larga da Net é, no entanto, limitada geograficamente à áreas de maior poder aquisitivo em grandes cidades.

 

Uso de tecnologias wireless pode acelerar o crescimento

 

O crescimento da competição e da oferta de banda larga em áreas ainda não atendidas passa necessariamente pela utilização de tecnologias wireless (3G e WiMax).

 

A 3G do celular já está disponível para mais de 34% da população brasileira e a quantidade de acessos banda larga móvel deve ultrapassar a da fixa em 2009. É importante lembrar, no entanto, que apenas parte destes acessos móveis são efetivamente usados com esta finalidade. Em Portugal, o percentual dos que utilizaram no mês é de cerca de 20-30% do total de acessos banda larga móvel (mais detalhes).

 

Já o WiMax, foi colocado em compasso de espera enquanto aguarda a realização do leilão de frequências em 3,5GHz.

 

A disponibilidade de frequências deve se tornar cada vez mais um limitante para o crescimento da banda larga no Brasil. Novas tecnologias, como o LTE, exigirão cada vez mais espectro para a oferta de velocidades que permitam a oferta de serviços multimídia.

 

Em suma, assim como acontece no celular, a competição pode ser o motor para acelerar o crescimento da banda larga no Brasil. Este crescimento pode ser alcançado com tecnologias wireless que dependerão, no entanto, da disponibilidade de espectro no país.

 

 

Diante desse quadro, pergunta-se:

  • Como acelerar o crescimento da banda larga no Brasil?
  • Por que a Net está crescendo mais que as operadoras de telefonia fixa?
  • A 3G será a tecnologia líder da banda larga no Brasil?
  • Qual o espaço para o WiMax?
  • Qual o papel dos pequenos provedores neste processo?

 

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Comentários dos leitores do Teleco

 

 

Comentário de Gustavo Filardi

 

Já faz algum tempo que não escrevo para o Teleco, então decidi tentar responder as perguntas sobre as formas de acelerar o crescimento da banda larga no Brasil.

Para tentar responder à primeira pergunta, vou utilizar o mercado Francês como modelo.

Aqui, desde 2004, as “caixas de distribuição” (de onde sai os cabos de last mile da rede de telefonia ate a casa das pessoas) são disponíveis para serem desagrupadas pelas operadoras concorrentes da France Telecom (proprietária publica dessas caixas/cabos).

Assim as operadoras podem conectar suas redes de fibra óptica nessas caixas e alugar os cabos de last mile da France Telecom para fornecer seus serviços ADSL2+ de ate 20mbps aos clientes, independentemente da France Telecom.

O interessante é que, para os usuários quem possuem suas caixas desagrupadas, é possível contratar o serviço de um operador, sem ser usuário France Telecom.
O cabo last mile não depende de utilização dos serviços da mesma.

Assim, desde de 2004, 25% de todas as caixas de distribuição da França já receberam fibra optica de pelo menos hum concorrente da France Telecom.
Aqui existem 16 milhões de conexões(em 30 de Junho 2008) para 60 milhões de habitantes, ou seja: 26,6 acessos/100 hab.

Na quase totalidade das cidades com mais de 100 mil habitantes, existem pelo menos 6 operadoras competindo pelo mercado.
Isso gera aumento da competitividade e reduz os preços dos serviços, que são triple pay: TV Digital, Voz ilimitada e gratuita para mais de 30 paises, Internet 20mbps.
A maioria deles oferecem todos esses serviços com preços que variam de 19,90 à 34,90 € (R$ 60,00 à R$ 105,00)

Não sou de esquerda nem estou aqui para falar de politica, mas acredito que no caso do Brasil, dependemos de mais regulação e até mesmo intervenção do governo para possibilitar aumento da concorrência. É necessário obrigar as operadoras a disponibilizar pelo menos o ADSL simples em 100% da rede de telefonia do país e possibilitar a desagregação, para a instalação de novas operadoras concorrentes.

Abaixando os preços e aumentando as velocidades, estabilizando os serviços, incluindo ligações ilimitadas e TV de qualidade, tenho certeza que mesmo estando concentrado apenas nas cidades acima de 100 mil habitantes, as nossas sonhadas “6 operadoras por mercado”, aumentariam facilmente a nossa penetração para 20-25 acessos / 100 hab.

Outra necessidade é a de continuar e melhorar as politicas de desoneração de impostos para a venda de computadores.
Atualmente um percentual considerável do parque de computadores instalados no país já possuem acesso à rede,
para aumentar a penetração da rede é preciso aumentar a base de computadores do país.

 

Fonte (frances):
http://www.ariase.com/fr/guides/degroupage.html
http://www.ariase.com/fr/haut-debit/cartes-degroupage.html

 

Resumo:

- Desagregar as caixas de distribuição para aluguel do last mile
- Obrigação de disponibilizar ADSL em 100% da rede de telefonia nacional.
- Incentivo à novas operadoras ADSL / Cable.
- Politicas agressivas para o aumento da base de computadores.

Ainda podemos incluir o aumento da geração de conteúdo / serviços disponíveis na Internet, como por exemplo uma politica para incluir Todas as esferas do Governo na Internet, incluindo prestação de serviços, solicitações e contas.

Por que a Net está crescendo mais que as operadoras de telefonia fixa?

Por possuir uma estratégia de marketing mais agressiva, ser uma empresa mais flexível/dinamica, atuar com menos produtos, inovação.

 

A 3G será a tecnologia líder da banda larga no Brasil?

Não, a rede não suporta milhoes de usuarios trafegando filmes e musicas.
A tecnologia foi desenvolvida para acessos simples, “na rua”, em movimento.
Eu não imagino o Brasil dos próximos anos com 10 ou 15 milhoes de usuários 3G em suas casas, substituindo o ADSL ou Cable.
Eu uso o 3G no meu iPhone desde Agosto e a velocidade não passa de 2mbps. Em casa tenho fibra de 100mbps da Numericable.
A tecnologia poderá, em todo caso, ser capaz de “mostrar pela primeira vez” o potencial da Internet para milhões de Brasileiros.

 

Qual o espaço para o WiMax?

Aeroportos, Condomínios verticais e horizontais, Restaurantes, Praças, Universidades, etc.
Ainda é muito cara para ter cobertura para grandes cidades.
Possui anos de atraso tecnologico em comparação às já maduras conexões Cable(USA) e ADSL(Europa).
Servirá para atender regiões onde o acesso via fibra ou adsl se mostrar caro de mais (Industrias ou bairros isolados).

 

Qual o papel dos pequenos provedores neste processo?

Enquanto o governo não incentivar e regular as grandes operadoras, os pequenos vão ocupar os espaços deixados pelos grandes,
localidades menos rentáveis e pequenas cidades.
O país talvez passará por um processo de consolidação do setor de wireless, com diversas fusões e aquisições.
Ou então os pequenos provedores serão simplesmente engolidos pelos grandes a partir do momento em que seus mercados se mostrarem “saturados”.
De acordo com os estudos da Teleco, hoje os pequenos provedores são responsáveis por grande parte da penetração da Internet em Banda Larga no país,
mas oferecem serviços que não ultrapassam os 2 mbps, que são instáveis e caros.

 

 

Comentário de Darwin Pires

 

Com certeza esta opção ira revolucionar o mercado, e porque? Seu custo esta bem mais acessível e o grande diferencial é a portabilidade onde seu acesso pode ocorrer em sua área de trabalho(localidade),residência e mais.....sem a necessidade de assumir o ônus insuportável,injusto e anti ético que as operadoras/telefonia fixa aplicam na assinatura de uma banda larga (voz,dados e provedor) tudo embutido a um preço extremamente absurdo quando comparado com outros países.

 

Finalmente uma solução que esta ao menos disponibilizando ao mercado com ótimas perspectivas e um preço justo, concordam?

 

 

Comentário de Marcelo Soares

 

Quando a Net vai acabar com a franquia de consumo de Internet?

A Net tem uma excelente conexão, mais peca em manter suas franquias de consumo. Só não cancelei com a Net ainda porquê não tem Speedy na minha rua.

A verdade é que para que realmente usa a Internet, a Net não serve enquanto tiver franquia! Com uma Internet reduzida a 200k e páginas cada vez mais "pesadas", fica difícil até de navegar.

É uma pena que muitos de nós ainda não tenham acesso a concorrência, tendo que se contentar com o serviço que tem e pronto!

 

 

 

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