Seção: Comentários Teleco

15/10/2009


Mercados atrativos para a implantação da banda larga

 

A Carta de Guarujá (Telebrasil) estabeleceu como meta para 2014 ter 150 milhões de pessoas com acesso banda larga à internet.

 

A Teleco estima que em 2014 o Brasil terá 90 milhões de acessos de banda larga, sendo 60 milhões móveis e 30 milhões fixos (Balanço Huawei). Com esta quantidade de acessos, a meta apresentada pela Telebrasil no seu encontro de agosto de 2009 seria superada, se levarmos em consideração que os acessos fixos atendem a residências e escritórios - média de 3 a 4 pessoas por acesso.

 

A massificação da banda larga no Brasil, um país de dimensões continentais e realidades distintas, não se dará de modo uniforme. Parece haver um consenso da necessidade em tratar de forma diferente os mercados competitivos - como as regiões metropolitanas das principais cidades do país - e as cidades em regiões remotas do país.

 

Para quantificar estas diferenças o Teleco - tomando como base metodologia utilizada pela Comunidade Européia - classificou as áreas de código DDD em que está dividido o Brasil nas seguintes categorias:

  • Áreas negras, mercados atrativos onde o próprio mercado deve ser o suficiente para estimular a implantação de uma infraestrutura de banda larga. Nestes DDDs, já existe competição na telefonia fixa e o market share das autorizadas é igual ou superior a 15%.
  • Áreas cinzentas, que necessitam uma análise mais aprofundada para determinar sua atratividade.
  • Áreas brancas, mercados não atrativos onde a infraestrutura de banda larga necessitará de políticas públicas para ser implantada. A competição na telefonia fixa nestes DDDs é baixa ou inexistente.

 

Nas áreas negras estão concentradas 58% da população, 68% dos celulares e 77% dos telefones fixos.

 

 

Áreas
População
Celulares
Fixos
PIB
Negra
58,1%
68,0%
76,9%
72,5%
Cinzenta
24,8%
21,0%
16,8%
19,1%
Branca
17,1%
10,9%
6,3%
8,4%

 

 

Note-se que o atendimento com telefonia fixa nas áreas brancas ocorreu em grande parte devido às metas de universalização impostas às concessionárias de STFC. Na telefonia celular, metas de cobertura e programas,como o promovido pelo Governo de Minas Gerais, ajudaram a ampliar a cobertura do celular.

 

A tabela a seguir apresenta a densidade de celulares e o market share das operadoras de celular em cada uma destas áreas.

 

 

Áreas
Cel/100 hab.
Vivo
Claro 
TIM
Oi
Negra
101
28,8%
27,2%
23,1%
20,8%
Cinzenta
73
30,9%
21,4%
24,8%
21,5%
Branca
55
30,3%
22,2%
26,3%
20,8%
Brasil
86
29,4%
25,4%
23,8%
21,0%

 

 

A diversidade de situações existente no Brasil  confirma que a universalização da BL em prazo curto - como vários indicadores mostram ser o desejo da sociedade brasileira - exigirá a participação e mobilização de todos os agentes envolvidos, sejam as empresas privadas, fabricantes e prestadoras de serviço, em especial, as concessionárias de telefonia fixa e as operadoras de telefonia móvel, sejam os órgãos de governo nas diversas esferas: federal, estadual e municipal.

 

A infraestrutura de banda larga existente no país está concentrada nas regiões negras e é incipiente nas regiões brancas. Algumas iniciativas como o compromisso de extensão do backhaul a todos os municípios e as metas de cobertura 3G podem ajudar a mudar esta situação nos próximos anos.

 

Um plano nacional de banda larga deve incentivar a construção de redes de acesso baseadas em fibra óptica nas áreas negras suportanto a oferta de banda larga fixa e móvel, bem como ampliação da oferta da banda larga nas áreas brancas e cinzentas onde é menor a competição. As áreas brancas devem, ainda, ser objeto de parcerias público-privadas, com o objetivo de acelerar a penetração da banda larga nos DDDs onde o retorno de investimento é menos convidativo para as operadoras. O governo federal dispõe de instrumentos no BNDES e na FINEP que podem ser utilizados para tornar atrativos os mercados das áreas cinzentas e brancas.

 

Outros incentivos, como a isenção de ICMS para acessos de 200 kbps a 1Mbps, assinada durante o Futurecom pelo governo de São Paulo, poderão impulsionar a penetração da Banda Larga definitivamente no Brasil.

 

Diante deste quadro pergunta-se:

  • A divisão de áreas proposta ajuda a entender melhor o Brasil e desenvolver um plano nacional de banda larga?
  • Que políticas públicas teriam de ser definidas para estimular a massificação da banda larga nas áreas brancas e cinzentas?
  • A isenção de impostos para terminais de banda larga fabricados no Brasil, até 2014, seria um bom incentivo para a indústria? Quais seriam os prós e contras?
  • Os governos estaduais e federal deveriam aderir às iniciativas, como a de São Paulo, isentando de impostos os acessos de 200 kbps a 1Mbps?

 

 

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Comentário de Rodrigo Conte

Não dá para entender que aqui na região DDD 49 de SC é área não atrativa e que não tem infra-estrutura. Aqui temos cidades grandes e a maioria dos municípios já tem banda larga, é utopia dizer que aqui não tem infra-estrutura.

 

 

Comentário de Leonardo Pereira

Não acredito que uma divisão geográfica pelo DDD seja a melhor forma de demonstrar a atratividade ou não, já que, como exemplo, MS inteiro se diz atrativo, enquanto acredito que apenas a região metropolitana efetivamente seja, assim como em outros estados do sul onde existam cidades médias com atração, competição e interesse das operadoras.

 

Foi um equívoco simplificar a geografia brasileira pelo DDD.

 

 

Comentário de Plinio Marcos Neves

DDD 27 Área atrativa? Existe sim pontos, cidades atrativas, e não a área toda, pelo seguinte: todo acesso bl do ES se concentra na região metropolitana de Vitória, lá o que não falta é bl, onde temos Vivo 3G, Claro 3G, Oi Velox e Velox 3G, Tim 3G, GVT, Net (tv a cabo), Embratel (Livre), RCA (tv a cabo).

 

Agora quem não mora na regiao metropolitana, como é o meu caso, fica como opção a Oi fixo (discada). Até conseguir usufruir da bl onde moro (Guarapari), mas a Oi só atende com seu serviço Velox os bairros digamos nobres da cidade e com um serviço pior que o da Telefonica SP.

 

No meu caso, perdi minha bl, pelo fato de ter ligado para o suporte técnico e reclamado que o serviço estava instável, como solução, a mesma (Oi) retirou meu dsl e inviabilizou o serviço apos 4 meses de serviço ativo na linha.

 

Acho que antes de ter novas leis de bl, deveriam existir meios reais de fiscalização de serviços que são muito mal prestados por empresas que querem lucrar com uma rede com mais de 30 anos de uso, como as concessionárias fazem atualmente.

 

 

Comentário de Ivan Barreto

Área de DDD 22 não é atrativa? Muito estranho isso, pois ddd 22 inclui a enorme região dos lagos, e norte fluminense, e não deixando de frizar que também há 3g nestas áreas, menos em algumas cidades, que na verdade em minha opnião já era pra ser 3G.

 

Município de Quissama por exemplo está nesses espaços cinzas, mais já era pra ser 3G pelo menos de alguma operadora, mais ainda não é. PASSOU DA HORA DE SER 3G, ACORDEM OPERADORAS!!!

 

 

Comentário de Renato Sores

Creio que a divisão baseada simplesmente pelos DDDs seja insuficiente para determinar a real atração do mercado de banda larga nas diversas regiões do país.

 

Deixo minha crítica pela avaliação dada aos DDDs 22 e 24, onde estão localizadas importantes cidades como Volta Redonda, Angra dos Reis, Petrópolis, Cabo Frio, Macaé e Campos, as quais concentram pólos turísticos e industriais de grande valia para a economia do Estado do Rio de Janeiro e do Brasil.

 

 

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