Seção: Comentários Teleco

23/07/2010


O que muda com a saída da Portugal Telecom da Vivo e a ida para a Oi?

 

Depois de 3 anos de negociações e por um preço 2,5 vezes maior que o da primeira oferta feita em 2007, a Portugal Telecom (PT) acertou a venda de sua participação na Vivo para a Telefonica por 7,5 bilhões de euros (mais detalhes)

 

A PT anunciou também a assinatura de um acordo com a Oi para a aquisição de participações diretas e indiretas nas empresas do Grupo, que levarão a PT a ter 22,38% da Telemar Norte Leste S.A. (TMAR), empresa operacional do Grupo, por um investimento máximo de R$ 8,4 bilhões (3,7 bilhões de euros).

 

 

 

 

A saída da PT da Vivo irá permitir que a Telefonica promova a fusão de suas operações fixas e móveis no país formando uma operadora integrada capaz de oferecer telefonia fixa, celular, banda larga e TV por assinatura em um mesmo pacote de serviços (mais detalhes).

 

Este processo deve se acelerar ainda mais se for aprovado no Congresso, ainda em 2010, o Projeto de Lei 29 (PL 29) que acaba com as restrições a participação do capital estrangeiro na TV a cabo.

 

Em 2011, os três maiores grupos de telecom do Brasil (Telefonica/Vivo, Oi e Claro/Embratel/Net) deverão estar com suas operações fixas e móveis integradas.

 

A competição entre operadoras convergentes deve levar a um aumento de oferta de serviços integrados e pesados investimentos em redes de fibra óptica que levem a banda larga de alta velocidade ( 10 a 100 Mbps) até perto da casa do usuário e até as torres de celular que oferecem banda larga móvel.

 

Neste cenário será importante observar se a entrada da PT na Oi implicará em uma mudança da estratégia desenvolvida pela operadora nos últimos 12 meses.

 

Com a aquisição da BrT a dívida líquida da Oi cresceu de R$ 11,0 bilhões em 2008 para R$ 22,4 bilhões em 2009, o que levou a operadora a apertar o cinto e reduzir os investimentos. A Oi investiu R$ 518 milhões no 1º semestre de 2010 contra R$ 994 milhões em igual período de 2009.

 

A receita líquida da operadora no 1º semestre de 2010 cresceu 0,5% em relação a igual período de 2009. Em compensação, a sua margem EBITDA cresceu e atingiu 36,2% no 2T10.

 

Esta estratégia levou a uma perda de market share em telefonia fixa, celular e banda larga nos últimos 12 meses.

 

 

 

Os acessos celulares da Oi cresceram 9,7% nos últimos 12 meses,menos que a média Brasil (16%). A operadora perdeu em Abr/10 a liderança da Região I para a Vivo e está crescendo apenas no estado de São Paulo.

 

Neste período a Oi ganhou market share apenas em TV por Assinatura, impulsionada pela sua operação de DTH. Mesmo assim, a operadora apresentou queda de 6,4% nos acessos de TV por Assinatura no 2T10.

 

Juntamente com a entrada da PT na Oi, estão previstas a realização de aumento de capital de R$ 12 milhões na Telemar Norte Leste S.A. (Tmar) e na sua controladora TeleNorte Leste participações S.A.

 

Segundo o comunicado divulgado pela PT: "os aumentos de capital terão como objetivos principais a redução da dívida líquida da Tmar e financiar a expansão internacional desta sociedade e das suas controladas".

 

A Oi espera reduzir a sua alavancagem que é hoje de 2x Dívida Líquida /EBITDA para 0,8. Está prevista também a aquisição por parte da Tmar de até 10% do capital da Portugal Telecom por um valor estimado em R$ 1,8 bilhões.

 

Este aumento de capital permitirá também que a operadora invista mais pesadamente em banda larga fixa e móvel, sob pena de ficar em desvantagem neste novo cenário de competição.

 

Finalmente, a vida deve ficar mais difícil para a Tim, que não tem uma presença significativa no mundo fixo, e para a GVT, que não atua no mundo móvel, neste novo cenário competitivo com operadoras integradas.

 

 

Diante deste cenário pergunta-se:

  • Existe espaço para um quarto grupo no mercado brasileiro do mesmo porte da Telefonica/Vivo, Oi e Claro Embratel/Net?
  • O que muda na estratégia da Tim e da GVT neste novo cenário?
  • A Oi deve buscar uma expansão para o mercado internacional ou investir na modernização de sua rede no Brasil?
  • A PT pode vir a ser a controladora da Oi no futuro?
  • Ainda há espaço para o relançamento da Telebras?

 

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Comentário de Pablo Santos

No meu ponto de vista o quarto grande grupo já existe que é a TIM BRASIL após a fusão com a INTELIG.

 

 

Comentário de Thairo Custodio de Moraes

Acredito que há espaco para um quarto grupo, e a TIM deve investir para não ficar para tras! Já a OI, deve investir na modernização da rede, que está um pouco a desejar!

 

 

Comentário de Wesley Vittorino

A exemplo do grupo Telmex a Oi deve buscar sim o mercado internacional, já quem irá controlar quem só o tempo dirá.

 

 

Comentário de Rodrigo Miranda

Pra GVT vai ficar difícil mesmo, o único jeito pra ela era comprar a AEIOU que está estaguinada desde quando começou, mais pela licença que ela tem na grande São Paulo, e tentar com a ANATEL a vender sobras de frequência, como a Oi teve que pegar a banda M porque a AEIOU já tinha pegado outra em São Paulo.

 

A GVT, com a compra da AEIOU, garante licença na grande São Paulo e tem banda M sobrando em quase todo território Brasileiro para poder comprar e começar a operar e se quiser também pode esperar para comprar a licença de banda que falta no 3G, mas essa disputa vai ser bem mais dificil porque tem também a NEXTEL de olho nessa licitação.

 

 

Comentário de Marco Aurélio Silva

É grande o crescimento da TIM, porém, temos que se atentar que operadora de celular tem lucro quando também existe a comunicação entre as mesmas e não apenas no intra-grupo.

 

A oferta Liberty era apenas de 12x meses e expandiu para os 24 meses. A cada dia criam uma nova oferta, mas, o preço ainda continua alto para ligar para outras operadoras ou planos individuais com preço menor, porém, após exceder a franquia, volta o preço cheio... Ai não interessa a ninguám.

 

Na Claro, na Oi, o preço do excedente é igual ao contratado, ou seja; para quem compra an Oi, compra-se minutos e na Claro compra-se em valor. (Quando se compra valor, sabe-se que o seu compromentimento baseado neste, gasta-se como lhe convir, alem da mesma lhe conceder bonus para a sua operadora. Vivo + Telefonica + Speedy = A maior em celular do Brasil também em 3G) e a maior em telefonia fixa do estado de SP.

 

Oi = Móvel (pequena faixa em 3G), fixa e internet (móvel)e TV a CABO, em plena expansão. (a frente na convergência).

 

Tim = Internet móvel (a 3ª em 3G no Brasil), telefonia móvel, Fixa com Intelig (uma das maiores redes em fibra óticas do país, porém, com pontos ausentes).

 

Claro = Telefonia móvel (2ª em 3G no Brasil e a 1ª em quantidade de cidades 3G), internet móvel e fixa até 100MB (Corporativo) + telefonia fixa (Embratel, a maior operadora e a maior em rede de fibra ótica do país), além da Net (TV A CABO).

 

Vale lembrar que todas ainda possuem suas áreas de sombra. Vale atentar que a GVT agora é da Vivendi (uma das divisões da gigante Vodafone).

 

 

Comentário de Marcello Miranda

Quem ganha com a entrada da PT na Oi? (Escrito por Nossa Opinião - Instituto Telecom)

 

A semana que passou foi marcada pela definição de um processo que resultará na entrada da Portugal Telecom na Oi. Fala-se em socorro financeiro necessário para que a Oi consiga reduzir a sua dívida líquida. E, mais do que isso, acredita-se que esta operação permitirá à Oi "ampliar a sua capacidade de investimento e de expansão nacional e internacional, mantendo o controle da empresa em mãos brasileiras".

 

A Oi, por sua vez, anunciou ao mercado que "a aliança terá por fim o desenvolvimento de um projeto de telecomunicações de projeção global que permita a cooperação em diversas áreas buscando, dentre outros, partilhar das melhores práticas, alcançar benefícios de escala, potencializar iniciativas de pesquisa e desenvolvimento (...) ampliar a presença internacional das partes, notadamente na América Latina e África, diversificar os serviços, maximizar sinergias e reduzir custos".

 

Já no site da Portugal Telecom está a mesma justificativa, com outras palavras: "a parceria estratégica terá como objetivo o desenvolvimento de um projeto luso-brasileiro de telecomunicações de projeção global que permita a cooperação em diversas áreas".

 

No comunicado das duas empresas a promessa é de que a fusão representa o fortalecimento de ambas no mercado global e o aprimoramento dos serviços prestados. Ou seja, o melhor dos mundos. Uma empresa forte, capitalizada, para enfrentar os desafios nacionais e internacionais das telecomunicações. Só que este foi o mesmo discurso utilizado pela Oi quando adquiriu a Brasil Telecom, em janeiro de 2009, e até hoje não foi cumprido.

 

Por que então nos preocuparmos com esta notícia?

São várias as razões:

 

1) Desnacionalização Por diversas vezes os sócios privados da Oi e o governo reafirmaram que não desejam vender a Oi para um investidor estrangeiro. No entanto, a PT já entra detendo 35% de participação na AG Telecom e no La Fonte, além de 10% de participação direta na Oi. Isso significa que, direta e indiretamente, a Portugal Telecom passa a deter 22,4% da Oi.

 

E especulações sobre um futuro repasse do controle da Oi para a PT já começaram, apesar dos acionistas privados da Oi negarem esta intenção e o acordo da Oi conceder aos sócios estatais direito de veto. Resta saber se o governo brasileiro vai realmente usar este poder para evitar a desnacionalização da empresa.

 

2) Pesquisa e desenvolvimento A Oi e a PT falam em desenvolver tecnologia. Exatamente a mesma promessa feita na época da compra da Brasil Telecom pela Oi. O ato nº 7.828/08 da Anatel descreve o comprometimento assumido pela empresa, principalmente, em pesquisa e desenvolvimento. E no item 9.1, por exemplo, está definido que a Telemar (Oi) "deverá realizar, nos próximos dez anos, investimentos em P&D em valores anuais correspondentes a, até, 100% do total recolhido ao Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), respeitado o compromisso mínimo de 50% do total, incondicionalmente, ficando os restantes 50% condicionados à liberação proporcional pelo governo".

 

Baseado no que se viu até agora, dá para acreditar que haverá prioridade da Oi para o desenvolvimento de tecnologia nacional?

 

3) Plano Nacional de Banda Larga Em seu comunicado, a Oi afirma que o Plano Nacional de Banda Larga é uma ótima oportunidade para o seu crescimento e que contará, agora, com a reconhecida expertise da PT. Ponto extremamente controverso.

 

A Oi e todas as outras concessionárias foram contra todas as cláusulas colocadas em consulta pública pela Anatel para as metas de universalização da banda larga (PGMU - 2011 a 2015). Depois foram contra a reativação da Telebrás, e, mais recentemente, a Oi se colocou como a possível Telebrás do "B". Surgem dúvidas sobre o interesse da Oi no PNBL.

 

A empresa aderiu à proposta de política pública do PNBL ou o seu intuito é apenas maximizar os ganhos dos seus acionistas?

 

4) Expansão internacional Mais uma promessa repetida. A expansão no mercado internacional já foi uma das promessas da Oi quando adquiriu a BrT. A meta anunciada agora é aumentar a presença no mercado da América Latina e da África. Mas, qual o plano de aquisições na América Latina? Como enfrentar a Telefônica e o grupo mexicano? É verdade que a PT tem presença na África. Mas que garantias temos de que a Oi obterá 10% da PT , conforme anunciado?

 

5) Terceirização e situação dos trabalhadores A política da Oi, ou da "Nova Oi", para com os seus trabalhadores traz mais preocupações. No Brasil, o resultado da compra da BrT pela Oi foi a demissão de milhares de trabalhadores e o aumento da terceirização, principalmente nos serviços de rede e de call center. Já para o Sindicato dos Trabalhadores da Portugal Telecom (STPT) a transação coloca em risco a estabilidade da operadora devido ao forte endividamento da Oi.

 

O Sindicato português também se preocupa com o risco de a PT não cumprir "a manutenção da estabilidade laboral e dos compromissos assumidos com os trabalhadores, nos salários, nas pensões e na saúde". O Instituto Telecom considera importante que a Oi busque se expandir internacionalmente.

 

Até porque faz parte da lógica do mercado, mesmo que a empresa o faça tardiamente. Só que mais uma vez a Oi afirma que a fusão vai gerar mais valor para todos: sociedade, trabalhadores, acionistas e consumidores. Mas, ainda não estão claros quais são esses benefícios e nem se deste processo resultarão fatos importantes como a redução tarifária para os consumidores, ampliação e qualificação dos postos de trabalho, investimento em pesquisa e desenvolvimento, banda larga mais barata e de qualidade. As coisas parecem desassociadas, mas não estão.

 

Se a Oi pretende formar uma nova empresa, não pode entender este processo apenas como uma política de mercado. Existe uma nova política pública para o setor de telecomunicações: o Plano Nacional de Banda Larga, e as novas metas de universalização do contrato de concessão que devem ser assinadas pelo governo Lula e passam a valer a partir de 2011.

 

A Oi tem que deixar claro quais são os seus planos com a expansão e discutir com o Estado e a sociedade se tais decisões também estão de acordo com os seus interesses de universalização. Definitivamente, temos que estar atentos. O que não pode ocorrer é que, quando nos dermos conta daqui a dois anos, os únicos beneficiários da fusão sejam os sócios privados.

 

 

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